Samba no cinema
Estréia filme sobre a vida do sambista Cartola
7 de abril de 2007
Documentário que conta a trajetória do músico Cartola chega aos cinemas para resgatar a história de um dos sambistas mais importantes do Brasil
"Cartola - Música para os Olhos", filme de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda entrou em cartaz nessa sexta-feira, 6. O filme relata a vida de um dos maiores compositores do samba brasileiro e fundador da Estação Primeira de Mangueira, além de contar histórias do samba, do cinema e do país sob o ponto de vista do músico.
O filme é uma produção de R$ 1,2 milhão e demorou nove anos para ser terminado. Ele começa com imagens do enterro de Cartola, seguido de uma cena de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, adaptada pelo cineasta Julio Bressane com a voz de Jards Macalé lendo um trecho do romance. Segundo os diretores, Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, "Cartola - Música para os Olhos" não é apenas mais um documentário sobre a vida de um artista "É a história do Cartola, que puxa uma história da Mangueira, uma história do samba, este se consolidando como símbolo de identidade nacional, e ainda o Rio de Janeiro como capital federal, as mudanças do país nos anos 60. São várias camadas", afirmou um dos diretores, Lírio Ferreira (Folha de São Paulo, 6/4/2007). O fato do filme iniciar com a adaptação de "Brás Cubas" não é uma mera coincidência. Machado de Assis morreu em 1908, mesmo ano do nascimento de Cartola e que segundo Lacerda seria "uma passagem de bastão" (idem). "Machado, que foi menino pobre, saiu de um gueto para se tornar o maior escritor brasileiro, representando uma tradição culta. Já Cartola teve uma infância burguesa e, aos 11 anos, sua vida mudou, foi morar numa comunidade pobre e se tornou o maior representante da cultura popular brasileira", enfatizou Lacerda (idem).
Para estabelecer um paralelo entre o documentário e a história do cinema brasileiro, a vida de Cartola é contada no filme com o auxílio de trechos de filmes das respectivas épocas, como as chanchadas (anos 40) e Cinema Novo (anos 50/60). "Essa narrativa, que forma quase um caleidoscópio, cria um universo que fica entre o documentário e a ficção. Há momentos em que o ’Cartola’ parece mais ficção do que o ‘Baile Perfumado’”, afirmou Ferrari (idem). Durante o filme também aparecem cenas de "Orfeu Negro" (59), "Ganga Zumba" (63) e "Os Marginais" (68), que tiveram a participação de Cartola.
Cartola: O Grande Sambista
Angenor de Oliveira, mais conhecido pelo apelido de Cartola que ganhou devido um chapéu-coco que ele usava quando ainda era pedreiro. Nasceu em 11 de outubro de 1908, Rio de Janeiro, no bairro do Catete. Era o quarto, dos sete filhos de Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Sempre gostou do carnaval, aos oito anos de idade desfilava em blocos carnavalescos da rua. Aos 11 anos, devido a problemas financeiros, foi morar no morro da Mangueira. Apesar do grande talento que possuía e da grandeza que suas obras apresentavam, Cartola estudou apenas o primário. Ele não conseguiu ingressar no mercado de trabalho e começou a viver de “bicos”. Foi pedreiro, pintor de paredes, lavador de carros, vigia de prédio e contínuo de repartição pública.
Após ser expulso de casa pelo seu pai aos 17 anos, Cartola passou a se envolver com diversas mulheres, adoeceu (ficando à beira da morte) e teve que parar de trabalhar, mas com a ajuda de seus amigos conseguiu superar as dificuldades.
Entre os seus melhores amigos esta o também sambista Noel Rosa, com quem vendia seus sambas no início de sua carreia. O primeiro samba vendido por Cartola foi: “Que infeliz sorte” de 1927. O samba foi vendido por trezentos contos de réis e foi gravado por Francisco Alves.
Em 28 de abril de 1928, Cartola e mais seis amigos: Euclides, Saturnino Gonçalves (o Satur), Marcelino José Claudino (o Massu), Pedro Caim (o Pedro Paquetá), Abelardo da Bolinha e Zé Espinguela, se reuniram na casa do Euclides da Joana Velha, que ficava na favela da Mangueira, para reunir os blocos carnavalescos do morro e fundar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que teve o nome e as cores escolhidas pelo próprio Cartola. A Mangueira ganha seu primeiro prêmio de carnaval logo no seu primeiro desfile que teve como samba enredo "Chega de Demanda" de Cartola.
Desde então Cartola passou a mostrar seu enorme talento para a composição, principalmente de sambas, passando a ser considerado posteriormente como um dos maiores sambistas brasileiros sendo homenageado por diversos artistas como: Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Leny Andrade, Cazuza, Marisa Monte, Ney Matogrosso e outros.
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