|
Luigi Comencini
Cinema perde o pai da comédia italiana
9 de abril de 2007
Um dos principais diretores dos áureos tempos do cinema italiano, Luigi Comencini, faleceu na última sexta-feira. Comencini, dos clássicos diretores italianos como Federico Fellini, Bernardo Bertolucci, Píer Paolo Pasolini, Ettore Scola, Luchinno Visconti, Dino Risi, Mario Monicelli etc. é, talvez, um dos menos conhecidos, mas é considerado como o pai da comédia italiana do período pós-guerra, das décadas de 1950 e 1960.
Sua filmografia é vasta, são 40 filmes em que trabalhou com os principais atores italianos como Marcello Mastroiani, Ugo Tognazzi, Gina Lollobrigida, Nino Manfredi, Alberto Sordi, Claudia Cardinale e o ator e diretor Vittorio De Sica. Seus filmes mais significativos são “Pão, Amor e Fantasia” (1953) pelo qual ganhou o prêmio maior do Festival de Cinema de Berlim. “Quando o Amor é Cruel” (1967), “As Primeiras Experiências Amorosas de Casanova” (1969) e “La Donna Della Domenica” (1975) foram outros filmes de destaque do diretor.
Comencinni também dirigiu uma famosa minissérie para a televisão, “La Storia” (1987), com a atriz italiana Claudia Cardinale.
Entre o riso e o choro
Comencini nasceu na Província de Brescia, ao norte da Itália, no ano de 1916.
Estudou em Paris e também na Universidade de Arquitetura de Milão. Ele foi arquiteto e jornalista antes de entrar para o cinema. Além de cineasta, também escrevia críticas de cinema.
Sua estréia foi nos anos 1940 com o filme “Proibido Rubare” que tinha um pé no neo-realismo italiano e contava a história de uma infância pobre no pós-guerra. Sua experiência com o neo-realismo foi muito efêmera, sua atenção voltou-se para a comédia após assistir filmes com o comediante Tottó. Juntamente com outros diretores, hoje consagrados como, Mario Monicelli e Dino Risi, enveredou para a comédia italiana e na época foram muito atacados, principalmente pela crítica, por diminuírem a estética neo-realista, uma espécie de diluição do gênero consagrado por Vittorio De Sica, Rossellini e tantos outros mestres. Foram nas décadas posteriores que o reconhecimento veio transformando-o em diretor respeitado e intitulado como o “pai da comédia italiana”. Um de seus discípulos foi o diretor Ettore Scola. Sua comédia é classificada como tragicomédia, equilibrando de maneira magistral, elementos como riso e choro.
A carreira de Comencini foi até 1991 com o filme “Marcelino, Pão e Vinho”, ele foi também, ao lado de Alberto Lattuada, um dos principais responsáveis pela restauração de obras do cinema italiano. Juntos fundaram a Cineteca Italiana.
|