“Crítica de gestão” tucana
PSDB não quer se responsabilizar pela destruição do ensino
13 de março de 2007
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira, os secretários de Educação do governo do PSDB em São Paulo e membros do mesmo partido faziam um balanço da educação paulista diante dos índices que vêm mostrando pioras sem precedentes desde 1995.
O resultado da entrevista do jornal Folha de S. Paulo foi um circo montado, no qual as gestões tucanas que se sucederam na Secretaria de Educação nos últimos 12 anos fizeram criticas entre si.
O ex-ministro da Educação de FHC, Paulo Renato Souza, criticou Rose Neubauer secretária da Educação de Mário Covas, que criticou Gabriel Chalita da gestão Alckmin.
Paulo Renato chegou a dizer que os tucanos “tiveram políticas totalmente diferentes da secretária Rose para o secretário Chalita”.
Criticando-se mutuamente por descontinuidade na formação de professores, na progressão continuada (projeto que acabou com a possibilidade de repetência) nenhum deles se responsabilizou pela crise de educação, que rebaixou São Paulo do primeiro estado em qualidade de ensino para o oitavo em dez anos, e que levou ao fundo do poço a qualidade das aulas. Graças a isso, nenhuma escola estadual teve média superior a 50% na última avaliação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Cinismo dos governos da burguesia
A crítica de gestão é uma saída completamente cínica da burguesia para justificar uma política centralizada e consciente de destruição do ensino público nos quais todos os partidos burgueses se aliam e pela qual o PT e o PSDB foram os últimos principais responsáveis.
É principalmente uma manobra para desvirtuar que a falência do ensino não é fruto de um problema técnico, mas de uma política de ataque à educação que é comandada pelo poder executivo, ou seja, diretamente pelo Estado.
Serra em São Paulo, um governo que funciona apenas por decretos, deixando a Assembléia Legislativa quase como que uma fachada para sua ditadura, acaba de aprovar o corte de verbas das universidades estaduais em um montante ainda maior que o de Alckmin.
Outra demonstração extrema do cinismo da burguesia paulista é o governo de Gilberto Kassab, do PFL, filhote do governo Serra, que foi deixado na cidade de São Paulo
Quando questionado pela imprensa sobre o superfaturamento de uma das obras do Fura-Fila inauguradas recentemente em São Paulo, Kassab atribuiu problemas às gestões anteriores.
“Como uma obra pode ser tão cara?”, perguntou um repórter do site Terra em matéria publicada há quatro dias atrás.
Kassab respondeu: “Eu diria que houve equívocos de gestão, e erros de projetos que inviabilizaram esta obra“.
O Fura-Fila, umas das obras conhecidas pelo superfaturamento repassado durante anos do bolso da população para o das empreiteiras em São Paulo foi iniciado nos governos de Maluf e Celso Pitta, mandatos nos quais Kassab era secretário e participava diretamente das decisões tomadas.
Um acordo para acabar com a educação
O PSDB se sustenta apesar da completa crise em São Paulo graças a um acordo com o governo federal sem o qual seria impossível que este se mantivesse de pé. O governo do estado permaneceu nas mãos dos tucanos nos últimos dois mandatos graças a um acordo com o PT, que abriu espaço para uma vitória eleitoral tucana após Covas e Alckmin devassarem a educação em São Paulo e provocarem um descontentamento generalizado entre os trabalhadores, especialmente os da educação.
Agora, Serra governa somente por decreto para os empresários, bancos e maiores tubarões da iniciativa privada. Em dois meses de governo, mais de 150 decretos foram aprovados e nenhuma votação na Assembléia foi realizada. Serra e os governos burgueses em São Paulo não conseguem mais esconder seu caráter antipovo o que é um fator de crise ainda maior, pois o governo sequer consegue esconder seu caráter ditatorial. Diante da crise ninguém quer se responsabilizar pelo caos educacional, muito menos os partidos burgueses. |