ANDES I
Congresso mostra falência política da “frente de esquerda”
Em um encontro burocrático, quase metade dos delegados ainda rejeitaram a filiação da ANDES ao Conlutas, defendida por 14 apoiadores da diretoria contra apenas uma exposição contrária
15 de março de 2007
Foi realizado, de 27 de fevereiro à 4 de marco passados, o 26º Congresso do Andes, em Campina Grande (PB). O evento contou com a presença de 337 delegados, 36 observadores e 5 convidados, docentes de 66 seções sindicais, “representando” a categoria filiada ao ANDES com mais de 70 mil professores na base.
Sem ter como centro quaisquer das preocupações da categoria docente e do conjunto dos trabalhadores (destruição das universidades públicas, demissões em massa nas privadas, arrocho salarial etc.), o encontro que teve um custo de mais de R$ 3 mil por delegado, realizado em período de férias e de forma totalmente clandestina em relação ao conjunto da categoria e teve como único objetivo real (imposto pela burocracia dirigente) referendar a decisão previamente estabelecida de filiar a entidade criada nas décadas passadas pela luta de milhares de professores a uma organização burocrática e divisionista do movimento operário que é a Conlutas.
Em 2004, no 24º Congresso foi tomada a decisão de desfiliacão do ANDES à CUT por 53,4% dos delegados presentes. Dois anos depois, no 26º Congresso, a filiação a CONLUTAS alcançou apenas o índice de 55,8% dos votos. Em ambos os casos, foram decisões aprovadas por uma margem muito pequena de votos. Mas no caso da filiação do ANDES ao CONLUTAS, fica evidente o fracasso total da ala dirigente da entidade (PSol, PSTU e “independentes). Não só porque, apesar de todas as manobras que ocorreram no Congresso, a aprovação se deu por inexpressiva maioria, sem qualquer discussão real na categoria, mas também pelo caráter da deliberação que corresponde a vincular uma entidade que outrora foi expressão importante da luta dos docentes universitários a um projeto político sectário e falido como é a Conlutas, que em seus quase dois anos de existência mostrou-se apenas como um aparato burocrático da decomposta de uma ala da burocracia sindical que no passado compôs com toda a burocracia chamad por eles de “governista” (integrando, entre muitas outras, em chapa única, a diretoria cutista de Vicentinho que defendeu contra os trabalhadores, a Câmara setorial e a reforma da Previdência, já no governo Collor - 1990 a92).
O apoio, agora recebido dos sindicalistas do PSol à adesão ao Conlutas, mostra o acordo dos integrantes do partido - que votou, junto com o PT e o PFL entre outros, a retirada de direitos dos trabalhadores na lei do Supersimples e cuja candidata presidencial propagou a defesa do repasse dos recursos públicos (que faltam para a Educação) para as montadoras e outros – à entidade proposta pelo PSTU justamente porque esta não representa, de fato, nenhuma perspectiva de luta contra o governo e a burocracia sindical. Ante a profunda debilidade do PSTU, a resolução pode estar indicando a decisão do PSol de compartilhar a direção da Conlutas para dar-lhe algum papel real: servir de sustentáculo parcial da engrenagem política burguesa que sustenta o modo “socialista” desse partido de atuar no parlamento, nas eleições etc. com a velha demagógica petista do passado: falar em “socialismo”, “lutas” e “liberdade” para defender as posições dos setores mais reacionários da sociedade como a condenação das lutas dos sem-terra – comum aos latifundiários – e a pregação antiaborto – junto com a Opus Dei da Igreja Católica. |