Ciclo básico
Mais verbas para universidades que rebaixarem seus cursos
16 de fevereiro de 2006
A proposta de um ciclo básico, um dos pontos defendidos na Reforma Universitária do governo Lula, pode acentuar o sucateamento das universidades.
O Ministério da Educação anunciou, na última quarta-feira, que irá repassar a maior parte das verbas destinadas para universidades federais (R$ 3,7 bi em cinco anos) para aquelas que adotarem um pacote estabelecido pelo ministério. Entre estes estaria a obrigatoriedade da instalação de ciclos básicos, entre outras propostas do MEC que formariam uma espécie de “contrato de gestão”.
O ciclo básic,o que é a aplicação de matérias gerais nos primeiros anos de faculdade, é o rebaixamento geral do currículo universitário. Com ele, será substituído um ano de estudos regulares pela introdução de matérias diversas, como no ensino médio, que nada têm a ver com o curso escolhido pelo estudante. Aliás, o estudante só poderá fazer a escolha de seu curso após passarem pelo crivo do ciclo básico. Esta medida, a qual o governo defende como uma forma de acabar com a evasão, é na realidade um plano de sucateamento, de redução de verbas, com a diminuição dos salários de professores que serão obviamente enxugados com a formação de um verdadeiro “cursinho” dentro da universidade, mais uma fase para uma maioria de estudantes que foram obrigados a freqüentar os cursinhos pagos antes de tentarem a sorte nos vestibulares das universidades públicas.
O ciclo básico foi amplamente apoiado pelos representantes das faculdades privadas na discussão com o governo para aprovar a Reforma Universitária, que está à espera de uma nova votação no Congresso Nacional.
Não por coincidência, o sucateamento da educação pública superior é um plano dos capitalistas do ensino para que, a longo prazo, seja reduzido o número de vagas na universidade pública graças à sua qualidade cada vez pior. A imposição do MEC por um contrato de gestão é a pressão dos inimigos da educação contra o ensino público.
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