Depois do corte de verbas e da autonomia...
Serra corta das estaduais para dar para megaempresa norte-americana
17 de abril de 2007
Está comprovado qual é o plano de José Serra com o corte de verbas públicas e a quebra de autonomia universitária: enriquecer os megaempresários nacionais e imperialistas
A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que é controlada pelo governo de José Serra, e que repassa verbas para pesquisas nas universidades estaduais, fechou um acordo com a maior empresa de software do mundo, a norte-americana Microsoft, fundando o Instituto Microsoft Research–FAPESP, uma nova fundação privada que vai receber verbas públicas.
A nova fundação prevê que o dinheiro público destinado a pesquisas no estado financie metade de seus investimentos. Só para começar, a fundação deverá receber US$ 400 (mais de R$ 1 milhão) de dinheiro público, US$ 250 mil no primeiro ano e US$ 150 mil no segundo.
A Microsoft, que ficou conhecida como a empresa que possui os maiores lucros no mundo, cujo dono, Bill Gates, ocupou o posto de homem mais rico do planeta, faz uma verdadeira busca por mão-de-obra barata, tendo fundações semelhantes a estas nos países com a mão-de-obra mais baratas do mundo, como China e Índia. A empresa financia US$ 7 bilhões anuais em pesquisa para obter um lucro de R$ 50 bilhões por ano.
Desta vez, serão os estudantes brasileiros que servirão como trabalhadores mal remunerados de empresas estrangeiras com todo o apoio do governo do estado que têm o cinismo de abocanhar o máximo de verbas possível às custas do sucateamento da universidade.
Não coincidentemente, na mesma semana, foi propagandeado pela Universidade de São Paulo como uma grande conquista que esta construiu um dos 500 maiores computadores do mundo, tendo gasto, através da Fapesp US$ 650 mil em um acordo com a IBM.
O plano de Serra e Lula: privatizar a universidade pública
A Fapesp é responsável por financiar projetos e bolsas, com sua direção indicada pelo governo do estado e composta de figuras como os próprios reitores e como o ex-ministro de FHC, Celso Lafer, todos com profundas ligações com os empresários nacionais e internacionais. A Fapesp é atualmente a via de entrada dos bancos e empresas na universidade. Estas empresas repassam, em média, menos de 5% de seus lucros para investimentos em novas pesquisas. O domínio capitalista na universidade deve se aprofundar ainda mais com o decreto.
O fim da autonomia aprovado em janeiro tem como principal medida a criação de uma Secretaria do Ensino Superior, cuja direção será de Aristodemu Pinotti (PFL), ex-secretário de Maluf. Este órgão terá o poder de decidir sobre todas as verbas da universidade, sem passar por nenhum órgão deliberativo das universidades estaduais, tanto para compra de materiais como para contratação de professores e funcionários. Nesta secretaria, a Fapesp será apenas um dos órgãos.
Este projeto é exatamente o que as grandes empresas precisavam, como o mercado imperialista que vislumbra dominar por completo a universidade. O golpe para tomar as estaduais de assalto já vinha sendo desenhado mais explicitamente no governo Alckmin com o plano de montar um parque tecnológico com empresas na USP.
Este também é um projeto federal como já havia se visto no projeto de Reforma Universitária que pretendia aprovar Lula e que prevê a institucionalização da presença de fundações privadas na universidade, para ampliar ainda mais o parasitismo destas empresas.
A presença dos negócios capitalistas que tomam conta dos cursos especialmente os de tecnologia representam uma política de rapina da burguesia nacional e internacional para privatizar as universidades públicas por dentro.
Abaixo o decreto! Fora as fundações privadas!
Os estudantes devem lutar contra a liquidação da universidade pública que se manifesta no corte de vagas, no sucateamento sem precedentes da universidade, dos quais a subordinação das universidades aos mais diretos e mesquinhos interesses das empresas capitalistas é a causa central.
Os estudantes devem lutar contra a burocracia defensora desta política, constituída dos professores mais graduados, de carreira, mais conservadores.
A luta por uma verdadeira autonomia política da universidade visa a combater a dominação da burguesia e do imperialismo sobre a universidade e colocá-la a serviço dos interesses da classe operária na sua luta pela revolução e pela transformação socialista da sociedade. Esta luta tem como objetivo buscar a independência política da universidade frente ao Estado e ao grande capital.
A forma que assume a autonomia universitária é o controle político da universidade pelos três setores que a compõem: professores, funcionários e estudantes, com maioria estudantil. Isto permite que a universidade decida sobre o seu destino em todas as áreas: pedagógica, administrativa, pesquisa, orçamentária, política etc. de acordo com seus interesses, sem restrições impostas pelo Estado.
Somente o governo tripartite: professores, funcionários, e estudantes com maioria estudantil é que poderá dar este caráter e imprimir nova vida à universidade.
O autogoverno, para ser exercido efetivamente, deve contar com a participação decisiva dos estudantes que representam o elemento revolucionário porque expressam o interesse geral da universidade como meio de reprodução da cultura e da socialização.
A luta contra o decreto de Serra deve se encaminhar, portanto, como uma luta contra o aprofundamento da política vigente dos capitalistas sobre a universidade, diretamente contra o governo estadual e o Executivo, que centraliza esta política.
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