Destruição do ensino
Prefeitura de Kassab faz rodízio entre alunos em sala de aula
17 de março de 2007
O ensino público, atacado de governo a governo, parece ter atingido o fundo do poço na cidade de São Paulo. Os dois últimos mandatos divididos entre o PT de Marta Suplicy e o PSDB e o PFL de José Serra e Gilberto Kassab colocaram as escolas em uma situação de verdadeira calamidade pública
Um dos retratos desta crise da educação pública de São Paulo foi feito pela Folha de S. Paulo. Em publicação desta sexta-feira, foi descrita a situação de uma das escolas municipais, a Flávio Augusto Rosa, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, entre Itaquaquecetuba e Guarulhos.
Na escola, está sendo institucionalizado o corte da grade horária dos estudantes pela metade e ainda um rodízio de alunos. Os 1.475 alunos, divididos em um número de 40 alunos em sala em média, têm que sair no meio da aula para outra turma entrar.
Por dia, são apenas duas horas e meia de aula enquanto o recomendado são cinco horas.
A prefeitura reduziu os três turnos para dois e ainda seis das vinte salas não foram reformadas e pioraram ainda mais a situação. Em resposta ao ataque absurdo da prefeitura, os pais de alunos assumiram a responsabilidade de servir a merenda escolar, fazer a comida, limpar os banheiros e salas de aula e cuidar das crianças, e muitos têm que deixar seus trabalhos para permanecer nas escolas, tudo isso por falta de contratação de funcionários. Até então não havia nem um diretor para a escola.
Os alunos têm que conviver com um clima de completo descaso nos mínimos detalhes. Há até lixo espalhado pelo pátio graças ao não recolhimento pela prefeitura.
"Como é que nós, mães, temos de deixar a nossa casa para limpar a escola sendo que a prefeitura tem verba para isso?", reagiu Nivalda, uma das mães de alunas que cuidam da escola.
Os calabouços que se tornaram os colégios municipais destinados ao ensino infantil, graças aos ataques dos governos burgueses, agentes dos pagamentos das dívidas com bancos internacionais, estão cada vez mais jogados às traças por uma política consciente de destruição do ensino pelos governos burgueses. Gilberto Kassab aprofundou ainda mais a falência do ensino público e o que é típico de um governo impopular, colocou em prática medidas absurdas que pioram ainda mais a situação dos estudantes e suas famílias como o aumento das passagens e, além disso, as denúncia de corrupção não cessam como no caso do superfaturamento dos tênis que seriam distribuídos para os estudantes, em denúncia publicada ontem.
A administração do ensino público totalmente abandonada vai se adaptando cada vez mais ao caos, com medidas como o rodízio de estudantes, uma absurda situação que pode ser institucionalizada em diversas outras escolas por pressão do governo.
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