São Paulo
Kassab retira estudantes das escolas dizendo que acaba com “turno da fome”

Gilberto Kassab (DEM, ex-PFL) quer cortar vagas fazendo a propaganda de que irá aumentar o turno nas escolas acabando com o “turno da fome”

1º de maio de 2007

O chamado “turno da fome”, o terceiro horário em que os estudantes têm aula, das 11 e às 15h, na hora do almoço, é uma realidade para a grande maioria das escolas fundamentais. Cerca de 98 mil alunos em 237 das 307 escolas públicas de ensino fundamental na cidade de São Paulo sofrem há décadas com o que foi estabelecido pelos governos. Para diminuir gastos com os estudantes,estes, além de ficarem sem almoço, tiveram seus turnos reduzidos em uma hora e vinte minutos, assim como os alunos dos turnos da manhã e da tarde. 
Na rede estadual 72.500 estudantes passam pela mesma situação.
O prefeito Gilberto Kassab faz a propaganda de que acabará com o “turno da fome”, o que teria feito em 70 escolas. A cínica campanha do prefeito tem espaço diário nos jornais burgueses, como O Estado de S. São Paulo, que publicou ontem uma matéria elogiando a medida.
“Somente depois de mais de 20 anos é que se descobriu não ser necessário gastar nem um centavo para acabar com o chamado ‘turno da fome’”.
O que Kassab procura ocultar junto com seus penas de aluguel é o ataque que prepara contra os estudantes e trabalhadores. O prefeito não irá ampliar os espaços físicos para abrigarem os estudantes que estão saindo do “turno da fome”.
Todas as obras de construção de escolas (70 prometidas) estão paradas, apenas metade delas têm licitação e todas sequer começaram, bem como os 15 Centros Unificados Educacionais (CEUs) (O Estado de S. Paulo, 30/4/2007).
Isto prova que “não gastar nenhum centavo” é exatamente aquilo que Kassab pretende e já começou a fazer.
Com uma só medida o governo dos carrascos da educação pretende retirar 1/3 dos estudantes das escolas ou metê-los em salas de aula lotadas.
Contra mais este ataque os pais de alunos assim como os trabalhadores da educação, junto a toda a população devem exigir mais verbas para a educação pública. Somente a ampliação imediata do número de vagas necessárias, conforme avaliação que seja feita sob controle dos próprios trabalhadores, com a contratação de todos os professores necessários acabaria com a calamidade do “turno da fome”.