Caos nas escolas públicas
PMDB dá exemplo no Rio de Janeiro

22 de março de 2007

No seu terceiro mandato consecutivo no Rio de Janeiro, o partido que é o maior aliado de Lula e do PT no governo federal e que declarou que sua aliança com o atual governo se dava em cima da meta de priorizar a Educação, dá exemplo de como deve se fazer para destruir ainda mais o ensino público.

Em centenas de escolas estaduais do Rio de Janeiro, após mais de um mês do início do ano letivo, não há aulas para milhares de classes por falta de professores, os prédios estão caindo aos pedaços e falta de tudo.

O governo peemedebista de Sérgio Cabral, que sucede a família Garotinho, que governou por oito anos, esperou que se instalasse um verdadeiro caos nas escolas públicas para anunciar a contratação  precária de cinco mil professores, nas próximas semanas.

“A medida emergencial para tentar suprir a carência da rede foi anunciada ontem pelo secretário de Educação, Nelson Maculan, em audiência pública na Comissão de Educação da Assembléia Legislativa (Alerj) ” (O Dia, 15/3/07). Maculan, ex-secretário de Educação Superior do Ministério da Educação do governo Lula, assumiu a culpa pelo caos no início do ano letivo e estipulou que o levantamento do déficit de profissionais esteja concluído até terça-feira. Dados oficiais apontam um total de 14.325 professores afastados de suas funções.

Segundo o governo, a situação seria mais alarmante entre os professores de 1ª a 4ª séries, do ensino fundamental, pois não haveria mais professores no banco de concursados, ou seja, aprovados em concursos públicos com validade, uma vez que a última seleção foi realizada em 2001. Faltam também milhares de serventes, merendeiras e vigilantes.

Pagando salários miseráveis, com pisos em torno de R$ 600,00, o segundo mais rico Estado da Federação submete os professores a um regime de superexploração no qual milhares são convocados para o chamado “banco de horas extras”, a chamada GLP, que atualmente atinge 12 mil professores, incluindo aposentados ou na ativa com disponibilidade para cumprir carga horária maior.

Na audiência na Alerj, o secretário Maculan discursou também sobre as péssimas condições de prédios, que também foram questionadas pelos deputados.

Do lado de fora da Alerj, centenas de manifestantes, incluindo professores, pais e alunos, protestavam contra o caos em escolas como os CIEP’s – Centro Integral de Educação Pública – inaugurados nas décadas de 80 e 90 para funcionarem em regime de atendimento com oito horas diárias e que, hoje, como as demais escolas públicas, estão em situação de total abandono.

“Tenho dois filhos no CIEP Irineu José Ferreira, em Campo Grande, que estão há um mês em casa”, protestou a dona-de-casa Edna Santos, 41 anos (idem). A escola foi despejada por falta de pagamento de aluguel do prédio, assim como outras seis, apenas na região de Campo Grande, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.