Rio de Janeiro - Superlotação
“Na hora é o maior empurra-empurra”
23 de março de 2007
As salas de aula das escolas públicas no estado do Rio de Janeiro – como em quase todo o País - viraram , como no dito popular, “coração de mãe”, onde “sempre cabe mais um”.
Em inúmeras escolas da rede estadual, alunos estão sendo obrigados até a se acomodarem no chão ou ficar de pé durante todas as aulas, por falta de cadeiras e carteiras e pela superlotação das classes.
Esse é o caso, por exemplo, do Colégio Estadual Minas Gerais, no bairro Jardim Primavera, na Cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Lá, em uma única turma do 3º ano do Ensino Médio, no período da manhã, há 98 alunos matriculados, com uma freqüência média de 85% da classe, em uma sala de apenas 53 metros quadrados, que já estaria lotada, pelos padrões muito elásticos adotados na maioria da rede pública do País, com 45 alunos.
Embora o secretário tenha declarado em audiência na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que “sou o secretário, e a responsabilidade é minha” (O Globo, 15/3/07) e estabelecido como “prazo para que o ano letivo começasse efetivamente o dia 20 de março” a situação se mantém até hoje e na sala, que repete o drama de centenas de outras espalhadas pelo Estado, se formam diferentes grupos, como a “turma do gargarejo”, que assiste aulas sentadas no chão próximas ao quadro negro, a “turma de pé” e os “madrugadores” que chegam até uma hora antes do horário do início das aulas para conseguir um lugar sentado (!), como é o caso de Alexander Miranda, de 16 anos, "Venho mais cedo e espero a escola abrir. Na hora é o maior empurra-empurra. Todo mundo corre pra pegar lugar. Já cheguei atrasado e tive que sentar no chão" (idem).
Uma situação que evidencia que o problema da educação não é a falta de vontade dos jovens, mas a enorme vontade e dedicação dos governos em destruir continuamente o ensino público.
Para estes governantes, cujos filhos freqüentam luxuosos colégios particulares, basta apenas fazer discursos para enganar a população e jogar a culpa pela falência do ensino nos professores e incentivá-los a “melhorar a auto-estima dos alunos” como questão fundamental, como propunha o ex-secretário estadual da Educação paulista, Gabriel Chalita. Quanto aos estudantes, estes que se adaptem às situações desumanas como as descritas pela jovem Denise Dolores, da classe de 98 alunos: "É um calor danado. Só um ventilador funciona. Pra ir ao banheiro, uma galera tem que levantar e abrir caminho, porque não tem por onde passar. A gente fica até desanimado"(idem).
Os burocratas e políticos da Secretaria Estadual de Educação (SEE) se juntam em desculpas, promessas e verdadeiros golpes contra a comunidade escolar. No início do mês a direção da Escola enviou ofício informando sobre a superlotação e solicitando 50 cadeiras. A espetacular “solução” oferecida pela SEE foi transformar o espaço dos professores em sala de aula. E não enviou uma cadeira sequer.
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