São Paulo
José Serra irá manter crianças em escolas de lata

Serra irá “reformar” 76 colégios de lata na rede estadual. Já mantidos pelo governo do estado há vários anos, as construções que seriam de caráter provisório, serão mantidas pela gestão Serra, que investe uma miséria para “reformar” os colégios e manter crianças em uma verdadeira “lata de sardinha“ abafada

27 de abril de 2007

Hoje, dezenas de milhares de estudantes da rede estadual de ensino são obrigados a estudar em galpões metálicos, sem qualquer isolamento acústico e em temperaturas muito mais altas que a ambiente.
Além disso, os galpões não têm mínimas condições de instalar nada além das salas de aula. A salas são coladas umas às outras e não há espaço para bibliotecas ou quadras poliesportivas.
A temperatura dos telhados, feitos de zinco, pode chegar a 60ºC, segundo levantamento feito pela USP de São Carlos, em 2004.
Naquele mesmo ano, a Secretaria de Educação contabilizou 236 escolas de lata em 188 cidades.
A solução dos governos dos patrões para sucatear o ensino público tem sido de piorar cada vez mais a sua manutenção barateando os custos. As escolas de lata estão  sendo usadas por todos os governos para cortar verbas da educação. Estas estruturas foram mantidas e construídas na gestão da prefeita Marta Suplicy do PT, na prefeitura de São Paulo, pois esta também alegava dificuldades financeiras. Naquela gestão, as empreiteiras ganharam como nunca para construir os complexos superfaturados dos CEUS, para os quais foram 90% de toda verba de manutenção escolar em estruturas que iriam abrigar menos de 5% dos estudantes. 

Reforma: destruição da escola pública

O que Serra irá fazer é reformar as escolas de lata a um baixíssimo preço para manter as péssimas condições de manutenção. Vinte e duas escolas já foram reformadas e 49 estão sendo, e tudo isso a um preço de R$ 4 milhões.
Os estudantes das escolas de lata que já foram reformadas reclamam das condições que praticamente não mudaram com as reformas insignificantes.
“A barulheira entre as salas é a mesma (...) Não tenho educação física, não tem espaço para ficar no recreio e, no único laboratório de informática dos três prédios, ninguém pode usar os computadores”, reclama Adauto Oliveira, 15 anos, estudante da quarta-série (Jornal da Tarde, 25/4/2007).
Os estudantes e professores da rede estadual devem se organizar para acabar com as escolas de lata e reivindicar mais verbas para o ensino público com a transferência imediata das crianças para escolas de alvenaria, afim de que sejam imediatamente construídas escolas de boa qualidade.