Nas universidades
Metade dos estudantes não se forma
27 de março de 2007
Uma pesquisa feita pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, feita com base nos dados do último Censo da Educação Superior, mostrou que apenas 51% dos alunos que entraram na universidade em 2002 conseguiram concluir seu curso em 2005.
Os índices de evasão vêm aumentando cada vez mais, ano após ano. A porcentagem de estudantes que não fizeram a rematrícula para o ano seguinte está em 22%, isto somente de 2004 para 2005. Isto quer dizer que 750 mil estudantes desistiram de seus cursos dos 1,4 milhão de alunos ingressantes naquele ano.
No centro da crise está o aumento das mensalidades e o sucateamento das universidades públicas.
A evasão anual das particulares é de 25%, enquanto nas públicas é de 12%, em média.
Os estudantes que entram nas universidades pagas têm que arcar com aumentos acima da inflação que os capitalistas impõem na tentativa de compensar a inadimplência
Nas universidades públicas, as crescentes desistências revelam que estudantes sofrem com a falta de assistência mesmo para se manter minimamente na universidade, com o ataque às moradias (que abrigam uma mínima parte dos estudantes carentes), o corte de bolsas, a cobrança de taxas diversas etc. além da deterioração generalizada com a falta de professores, salas superlotadas, manutenção inexistente, altíssimos custos de transporte como temos visto inclusive nas mais renomadas universidades públicas do país.
As direções das universidades públicas têm respondido a esta situação com ainda maiores ataques, como a inserção de novas regras de jubilamento - a exclusão por não conclusão de créditos, um criminoso programa para economizar gastos com estudantes mesmo sem a criação de novas vagas.
Nas pagas, esta política é a perseguição aos estudantes inadimplentes que agora poderão ter seus bens penhorados graças à uma nova lei federal.
A causa: privatização dentro e fora do ensino público
As verbas existentes são empregadas para encher os cofres dos bancos estrangeiros, para sustentar a burocracia universitária reacionária bem como a alta burocracia estatal, as fundações privadas, a grande indústria e os bancos.
As poucas verbas disponíveis para a educação contabilizadas no Orçamento do governo são absorvidas, em grande medida, pelos tubarões das faculdades particulares. Dentro das universidades públicas, as fundações privadas são verdadeiros parasitas que sugam o dinheiro público.
O governo desvia para as faculdades pagas, grande parte dominada pelas diversas igrejas como as PUC´s, o dinheiro arrecadado com os impostos pagos pelos trabalhadores.
O Estado deve financiar a universidade pública e esta deve ter as verbas que precisar. Exigimos mais verbas para a educação, a comunidade universitária (através do governo tripartite, com maioria estudantil) deve elaborar o orçamento necessário para a melhoria do ensino, a abertura de novas vagas, a iniciativa à pesquisa e a garantia à moradia estudantil para todos os estudantes.
Um programa de luta para defender os verdadeiros interesses dos estudantes bem como dos trabalhadores deve conter, entre outras coisas, o fim do pagamento da dívida externa, o monopólio estatal da educação, o ensino público, laico e gratuito para todos e em todos os níveis, mais verbas para a educação, mais verbas para a pesquisa, bolsas de estudo e moradia estudantil para todos e especialmente para os negros e para os estudantes operários. |