PAC da educação?
Meio milhão estudando em escolas sem banheiro
30 de abril de 2007
A escola pública é um túnel do tempo, na qual os alunos são obrigados a voltar para o tempo das cavernas. Os 30 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio públicos passam por um sem número de carências e por uma fase de retrocesso sem fim, que sintetiza agora a política de todos os governos burgueses que até então comandaram o país.
Além de inúmeros dados estarrecedores sobre o ensino público nacionalmente que tem como centro da crise e da destruição São Paulo de que 700 mil estudantes não têm sequer luz em sua escola, os dados do Ministério da Educação por meio do Censo Escolar mostram outras situações de calamidade pública. Quase 500 mil estudantes sofrem com a falta de banheiro em seu local de estudo.
Se tais níveis de condições vitais não são atendidas, o que dizer então da estrutura geral do ensino público, da construção dos prédios à qualidade do ensino. Ter livros na escola virou dos maiores privilégios. Menos de 20% das unidades escolares públicas têm uma biblioteca, o que mostra a farsa dos projetos demagógicos do governo, como o “Biblioteca na Escola” (PNBE).
O cinismo da burguesia contra o ensino público pode ser simbolizado no comentário do secretário de Educação Básica do MEC, Francisco das Chagas publicado hoje nos jornais “É de se perguntar onde, então, estão esses livros” (O Estado de S. Paulo, 28/4/2007). Logicamente que o destino dos livros e de toda a estrutura das escolas públicas é ou o bolso dos empresários ou das quadrilhas que comandam as prefeituras.
Sobre os programas de pesquisa e informatização a farsa é ainda maior. Menos de 6% das escolas de ensino fundamental e 38% das de ensino médio têm computadores, que muitas vezes ficam restritos apenas à direção. Laboratórios de informática estão presentes em apenas 11,7% das escolas públicas.
Diante de tal situação o PDE, o chamado PAC da Educação de Lula é uma esmola para realizar a maior demagogia e esquemas de corrupção do ensino público da história do País, um dinheiro do qual uma parte imensa de 60% será investida do dinheiro pago em impostos da população para comprar ônibus escolares a preços superfaturados. Diversas outras partes irão garantir a engorda de outros setores da burguesia, enquanto o que sobra, para estruturar as escolas por dentro irá passar pela barreira da burocracia de parasitas do estado que já sugam há décadas a educação. |