Professores
Salários baixos nas redes pública e privada


30 de março de 2007

Trabalho realizado por pesquisadores da FGV - Fundação Getúlio Vargas e da USP - Universidade do Estado de São Paulo, concluiu que a renda média dos professores da rede privada é praticamente idêntica à baixíssima média salarial da rede pública.
Segundo os pesquisadores Samuel Pessoa, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Luís Eduardo Afonso, “a diferença não passa de 11%, no caso dos que trabalham no ensino médio” (Folha On Line, 24/3/07). No caso da pré-escola, a diferença entre as duas redes é de apenas 4,9%.
Ainda segundo o estudo “se forem considerados os benefícios da aposentadoria no setor público, a situação se inverte em favor dos professores estaduais, municipais e federais” (idem).
Os estudos tomaram como base os dados do Censo 2000 do IBGE sobre a renda média de professores da rede pública e os da rede privada em todos os níveis de ensino.
Analisando os resultados da pesquisa o presidente do sindicato dos professores da rede privada em São Paulo, Luiz Antonio Barbagli, considerou que "Se formos trabalhar com a média e pensarmos a longo prazo, pode ter certeza absoluta de que na maioria dos casos o contrato é melhor na rede pública do que na rede privada. É preciso, no entanto, considerar que os salários nas escolas particulares variam bastante" (idem).
A pesquisa mostra apenas que os milionários ganhos dos tubarões do ensino privado na área da Educação – por estes transformada, cada vez mais, em um negócio – de forma alguma, reverteu na melhoria salarial dos professores e também que, o arrocho salarial imposto pelos governos, que em muitos Estados e prefeituras, chegaram a deixar os professores por até 10 anos sem reajuste salarial, constituiu um fator de rebaixamento geral dos salários.
Ao contrário do que afirma a presidente da CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Juçara Dutra Vieira, para quem “é importante pagar um salário digno ao professor, mas achamos que isso não basta para melhorar a qualidade do ensino. No que diz respeito ao professor, é fundamental também investir na formação e na carreira", a situação evidencia que a queda da qualidade do ensino está totalmente relacionada com  a desvalorização salarial dos professores. Para a burocrata sindical, está pode não ser uma questão fundamental (pois sua atividade cotidiana, assim como de toda a burocracia que controla os sindicatos da Educação, não depende dos seus vencimentos de professora, mas das inúmeras mordomias e vantagens colocadas à disposição dos “sindicalistas” por meio da contribuição de milhares de trabalhadores da educação), mas para os milhões de professores de todo o País é impossível pensar na melhoria do ensino, quando seus vencimentos não são suficientes para garantir condições elementares ao atendimento de  suas necessidades e de sua família o que o obriga – quando consegue – a se submeter a longas jornadas, trabalho em mais de uma rede de ensino e não lhe dá condições adequadas de desenvolver atividades culturais, formativas e informativas que lhe permitam um devido progresso pessoal e profissional.