Ensino pago
PUC-Campinas anuncia a demissão de 113 professores

4 de janeiro de 2007

A Pontifícia Universidade Católica de Campinas anunciou no dia 20 a demissão de mais 113 professores, sendo 28 do quadro fixo e 85 de contratos temporários. Esta é a segunda onda de demissões da universidade neste ano. Em julho, a Puc-Campinas demitiu 81 professores, dos quais 69 pertenciam ao quadro fixo e 12 eram temporários. Ao todo, foram 194 demissões, cerca de 30% do quadro docente da universidade, apenas neste ano de 2006!

O reitor, Wilson Denadai, afirma que as demissões, ao contrário dos casos da Puc-SP e da Unimep (Piracicaba), não são resultado da crise econômica da universidade. Mas fazem parte da implementação do Plano de Cargos e Carreiras e Salários (PCCS) dos docentes que foi aprovado no Conselho Universitário em dezembro de 2005.

O Plano visa, dentre outras coisas, acabar com o quadro docente da universidade, reduzindo ao menor número de professores possível, todos com contratos temporários. Com esse enxugamento do quadro docente, a reitoria planeja ainda dar continuidade no plano de reformulação curricular, que já vem sendo implementado desde 2001, que é a redução sistemática da carga horária dos cursos, bem como a superlotação das salas de aula.

Apesar da afirmação do reitor, o ataque promovido contra o emprego dos docentes e contra a qualidade de ensino da universidade é uma ação defensiva contra a crise econômica em que passa o ensino pago em todo o País.

Diante de todos estes ataques, a Apropucc (Associação dos Professores da Puc-Campinas), que deveria ser a entidade sindical dos professores na defesa de seus empregos, não tem qualquer interesse em barrar esta política de demissões. Em matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo no dia 20 de dezembro, a presidência da Apropucc afirma que “não há irregularidades nas demissões” e que “agora sentimos uma estabilização nas demissões”.

Tais declarações demonstram que a entidade, controlada pela família de Gustavo Petta, atual presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), isto é, pelo PCdoB, partido da base de apoio do governo Lula, é mais um instrumento dos capitalistas da educação para transformar as universidades brasileiras em verdadeiros balcões de negócios, enquanto Lula toca o projeto de destruição das universidades públicas com a Reforma Universitária apoiada pela UNE.

Ao contrário da vontade dos tubarões do ensino e do governo pró-imperialista de Lula, a única forma de superar a crise do ensino superior é a transformação das universidades pagas em universidades públicas, bem como o fim do subsídio do estado aos capitalistas da educação e o fim do pagamento da dívida externa para o investimento em massa na educação pública
superior no País.