Não à destruição do ensino público
Serra aprova medida proibindo a autonomia das universidades  

7 de fevereiro de 2007

O governador de São Paulo, José Serra, realizou mais um duro ataque à universidade pública paulista. Seguindo a política de Alckmin, Serra reteve a defasada e insuficiente verba que é repassada para as universidades. Proibiu inclusive a livre administração dos recursos da universidade que foi conquistado a partir de 1989, a chamada “autonomia universitária”. Segundo publicado na Folha Online “As escolas superiores terão agora de fazer uma solicitação prévia à Secretaria do Planejamento sempre que acharem necessário mudar o destino de suas verbas.” O que significa que qualquer tipo de gasto, por exemplo, compra de computadores, construção de moradias, ficaria subordinado à aprovação da secretaria de planejamento, que teria poder de vetar a compra.
A medida, adotada no início de janeiro, integra um pacote de mudanças. Uma dela é a de que o Cruesp (Conselho de Reitores das universidades estaduais paulistas) formado pelos três reitores, com um presidente, e os secretários de Ciência e Tecnologia e o de Educação, passaria, a partir da criação, a ter três secretários e três reitores. Como a presidência passou para o titular da pasta de Ensino Superior, este ponto da medida já foi revogado por protesto dos reitores.
O jornal Folha de S. Paulo publicou o trecho de um oficio enviado na terça-feira pelos reitores das três universidades ao secretário de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti, no qual dizem: "... causaram-nos estranheza as alterações implementadas a partir deste exercício... Nesse aspecto, senhor secretário, manifestamos nossa discordância quanto aos procedimentos". A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) também soltou uma nota contra a medida.
A intensificação dos ataques já tinha sido anunciada por Alckmin com a repressão a mobilização dos estudantes, na USP, Unesp e Unicamp no ano de 2005 e 2006. Agora a resposta dos estudantes, funcionários e professores deve ser ainda maior, em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.