| Eleições 2006
Participação do PCO dificulta reeleição de Lula no primeiro turno
A impugnação da candidatura a presidente apresentada pelo PCO não tem nada a ver com a impugnação de um candidato, mas sem dúvida alguma significa um ataque político contra um partido operário, revolucionário e socialista
17 de agosto de 2006
A impugnação do registro da candidatura de Rui Costa Pimenta à presidência da República para as eleições deste ano tem um caráter inteiramente político.
Pode-se dizer que a decisão unânime dos juízes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) parte de dois princípios, um mais imediato e outro mais amplo:
O primeiro é o de facilitar a reeleição de Lula no primeiro turno e o segundo de evitar o crescimento do único partido que verdadeiramente representa os interesses da classe trabalhadora.
Não é por acaso que o Partido da Causa Operária sofre tantos boicotes não somente na campanha eleitoral, mas também no movimento sindical e estudantil em que atua, por parte da burocracia mensalona.
Apesar das pesquisas apontarem para cerca de 1% a intenção de votos nacionalmente, ou seja, mais de um milhão de votos, as emissoras de TV e rádio fazem um grande esforço para tentar ocultar a candidatura do PCO, chegando a ponto de nem mesmo disfarçarem a ausência do candidato nos debates, uma vez que todos os outros seis tiveram a oportunidade de participar, sendo que dois destes com menos de 1% e sem representação parlamentar.
Não há dúvidas de que a participação do candidato do PCO abriria uma crise gigantesca, algo inédito na história dos debates, provocando inevitavelmente um grande destaque entre o eleitorado.
Entretanto, agora que a candidatura foi impugnada, existe um grande esforço da “imprensa oficial”, da imprensa capitalista, em anunciar a “cassação” do candidato pelo PCO à presidência, tentando assim diminuir a intenção de voto do partido, minimizar o ocorrido e, acima de tudo, impedir que o partido responda à arbitrariedade de que é vítima.
O companheiro Rui Costa Pimenta, candidato a presidente, não aparece em nenhuma rede de televisão ou rádio capitalista de grande porte para dar a sua versão dos acontecimentos!!!!
Obviamente que não se trata da mera impugnação de um candidato, mas sim de uma manobra consciente da burguesia, em particular dos grandes capitalsitas que estão no governo com Lula, contra um partido operário, socialista e revolucionário.
O atual quadro eleitoral nunca esteve tão decadente e desmoralizado. De um lado, a candidatura de Lula, que há quatro anos vem aplicando uma política de continuidade de todos os governos anteriores, defendendo os interesses da burguesia e do imperialismo e desferindo os piores ataques contra a classe operária.
Do outro, Geraldo Alckmin, uma candidatura de fachada usada apenas para diminuir a oposição contra o PT.
Há ainda uma suposta “terceira via” com a candidatura de Heloísa Helena, mas esta alternativa mostra-se cada vez mais à direita, com o objetivo exclusivo de tirar os votos do candidato do PSDB, facilitando a reeleição de Lula.
Por último, as candidaturas de Luciano Bivar e José Maria Eymael têm como único objetivo embaralhar as cartas para confundir o eleitorado.
Já a candidatura apresentada pelo PCO é, de fato, a única que apresenta uma perspectiva de luta, desmascarando os partidos tradicionais da burguesia e apresentando a construção de um partido operário que defenda as reivindicações dos trabalhadores e de todos os setores oprimidos da sociedade.
Existe uma preocupação muito maior em “cassar” candidatos realmente de esquerda do que cassar os políticos mensalões que estão no governo.
A burguesia está usando o Estado e suas leis para impedir a participação de um partido no interior da classe operária.
É absolutamente necessário iniciar desde já uma campanha de repúdio a mais essa perseguição política. Chamamos todos os ativistas que repudiam a manobra antidemocrática da burguesia a se manifestar abertamente contra mais esta arbitrariedade. A campanha será realizada amplamente nas fábricas, universidades, bairros populares etc., denunciando implacavelmente a intenção da burguesia em impedir a formação de um verdadeiro partido dos trabalhadores, revolucionário e socialista. |