Nas eleições
Votar em Lula para não deixar Alckmin ganhar?


Rui Costa Pimenta


Candidato do PCO à presidência da República

1 de julho de 2006

Um dos argumentos que os sindicalistas do PT e do PCdoB estão utilizando para defender a candidatura daquele que foi um do mais agressivos governos contra os trabalhadores é o de que os trabalhadores devem eleger Lula para não deixar Alckmin ganhar as eleições.
Neste conto de fadas eleitoral, Lula seria de esquerda e Alckmin de direita. No mundo real, Alckmin serve apenas como espantalho para fazer a campanha de Lula porque muitos trabalhadores já não querem votar em Lula como um bem, mas apenas como sendo o mal menor, o menos ruim para os seus interesses de classe.
A primeira coisa que é preciso dizer deste argumento é que é completamente defensivo e denuncia a falta de argumentos positivos para convencer a camada mais politizada dos trabalhadores a sofrer voluntariamente um segundo governo Lula.
É o velho truque eleitoral dos partidos burgueses “democráticos” como o PSDB e o PMDB, repudiados pelas massas pelas suas traições, que utilizavam Maluf e outros direitistas notórios como espantalho para eleger um Tancredo Neves (em nome do qual governou o direitista Sarney, líder da ditadura no Congresso), para eleger Mário Covas em S. Paulo e o próprio Alckmin! Segundo este raciocínio, a lei das eleições seria votar no menos direitista, no menos ruim, ou seja, o voto nunca poderá ter um caráter afirmativo, sempre que a burguesia não esteja em condições de apresentar e organizar as opções.
No entanto, este velho truque é, hoje, mais do que nunca uma mentira e uma falsificação da realidade.
Lula não é apenas o único candidato da burguesia como é efetivamente o pior candidato possível para a classe operária. A burguesia precisa dele para colocar em prática o seu programa essencial para a próxima etapa, ou seja, a reforma trabalhista e demais reformas e medidas que visam a transferir bilhões de reais da população trabalhadora para os banqueiros internacionais e nacionais e para os grandes capitalistas e latifundiários.
Esta reforma, que é a principal preocupação dos capitalistas significa o maior ataque de todos os tempos contra a classe trabalhadora brasileira.
Para colocar em prática este verdadeiro plano criminoso, é necessário eleger um presidente que tenha influência e controle efetivo sobre as principais organizações das massas como a CUT, o MST, a UNE etc. que possa paralisa-las e amarrar os trabalhadores e as massas pelos pés e pelas mãos e entrega-los indefesos aos grandes capitalistas para que sejam esfolados.
Os trabalhadores não têm um partido que possa mudar o rumo das eleições. O PCO, mais combativo e intransigente partido da esquerda não tem condições de mudar a situação eleitoral. No entanto, as eleições podem servir para outra coisa. Através da denúncia e da mobilização eleitoral e do voto em um partido independente e de luta como o PCO pode-se preparar o terreno para uma ampla resistência popular à ofensiva patronal que será encabeçada por um futuro governo Lula.