Golpe do TSE
Manobra da burguesia e seus tribunais para reeleger Lula no primeiro turno


21 de agosto de 2006

A tentativa de impugnar a candidatura de Rui Costa Pimenta, a única candidatura operária e socialista à presidência da República, compreende ao mesmo tempo uma necessidade a mais longo prazo e uma necessidade imediata da burguesia. A primeira de calar a voz do único partido que defende os interesses dos trabalhadores nas eleições no sentido de promover um regime de exceção, cujas diretrizes são e sempre foram as de impedir os trabalhadores de se organizar em partido político. A necessidade imediata é a reeleição de Lula. Neste sentido a impugnação da candidatura de Rui Costa Pimenta representaria a retirada dos votos do PCO, que agrega a parcela mais esclarecida da classe trabalhadora e das outras camadas da população. As últimas pesquisas indicaram uma indubitável votação de no mínimo 1% (1,2 milhões de votos) do PCO para a presidência, assim como de 1% a 2% nos 15 estados da federação onde o PCO possui candidaturas, o que, nas mãos dos órgãos de pesquisas da burguesia e do próprio governo, pode significar na realidade uma porcentagem muito maior de votos. A influência do PCO sobre uma ampla parcela do eleitorado é o único motivo que colocaria na ordem do dia para o TSE, composto pelos juízes indicados pelo governo, a necessidade de impugnação da candidatura de Rui Costa Pimenta pelos métodos mais draconianos. Isto fica reforçado pela utilização de uma lei retroativa, uma aberração jurídica inclusive inconstitucional, nunca utilizada na história do País para atacar um candidato nas eleições.
A crise do governo Lula, a rejeição de uma grande parcela dos trabalhadores que sofreram ataques ainda mais profundos que os de FHC, coloca a burguesia em uma situação de crise nas eleições que é a possibilidade de Lula ao ir para o segundo turno, receber uma ampla rejeição e Alckmin, um candidato de direita e extremamente impopular, tendo sido um candidato escolhido para garantir a reeleição de Lula, agregar votos de protesto. O fato de existir esta possibilidade é resultado de uma profunda crise do regime, o que comprova a crise de um governo controlado pelos banqueiros e empresários e sua incapacidade de impor mais derrotas à classe trabalhadora, que se volta cada vez mais à esquerda. A crise se revela ainda maior se considerarmos que o governo Lula é o único minimamente estável politicamente para garantir um governo em favor dos patrões, capaz de aplicar medidas como a reforma trabalhista, que vem a retirar todas as conquistas dos trabalhadores adquiridos ao longo de décadas de duras lutas contra os patrões.