”Para os amigos tudo, aos inimigos, a Lei”
Dois ministros do TSE aprovam candidatura de Eurico Miranda

8 de setembro de 2006

Primo de Collor de Mello acolheu recurso de um dos políticos mais criminosos da história recente do país.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas pessoas do ministro Marco Aurélio de Mello ( primo de Fernando Collor de Mello e indicado por ele para o cargo ) e Marcelo Ribeiro aprovaram a candidatura de Eurico Miranda a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.
O cartola de futebol e empresário corrupto havia tido sua candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por atentar contra o princípio de moralidade no uso da coisa pública e por ter, na sua vida pregressa, folhas inteiras de processos criminais. Eurico Miranda recorreu ao TSE e foi liberado por seus amigos Marco Aurélio de Mello e Marcelo Ribeiro.
O TRE-RJ considerou a vida pregressa do candidato Eurico Miranda para negar a candidatura. Segundo o TRE-RJ, ele não teria ‘postura moral' para exercer cargo público por responder a processos criminais pela suspeita de prática dos seguintes crimes: evasão de divisas, sonegação fiscal, furto, uso de documento público. Em nenhum dos casos, há sentença condenatória transitada em julgado” afirma o sítio do TSE na internet.
Mesmo assim, os doutores em moralidade instalados em Brasília aprovaram a candidatura de Eurico Miranda, quando todos sabem que o mesmo é culpado por todos os crimes apontados contra ele. Vejam que declaração cínica dada pelo primo de Collor de Mello, que transita entre os imorais por onde passa: " Como cidadão, simplesmente como cidadão, caminharia no sentido de concluir pela inelegibilidade, admitiu o ministro Marco Aurélio, após concluir o seu voto pelo acolhimento do recurso. Ressalvou que se paga um preço pela democracia, por se viver em um Estado Democrático de Direito. E concluiu enfatizando que ao votar nesse sentido, homenageou a ordem jurídica e o direito posto.”
Isto é, como cidadão ele fica enojado com sujeitos do calibre de Eurico Miranda, como qualquer cidadão honesto e trabalhador ficaria. Mas quando ele se transforma em juiz, quando coloca sua toga, é obrigado a ser conivente com todas as falcatruas existentes no país.
Há que se ressaltar que estes dois ministros são os mesmos que indeferiram a candidatura do candidato à Presidência Rui Costa Pimenta, do PCO, em nome justamente do respeito ao Estado Democrático de Direito, da Ordem Jurídica e do Direito Posto, mesmo o candidato tendo prestado contas de sua campanha eleitoral de 2002 e ter sua quitação eleitoral expedida por seu cartório eleitoral.
A liberação de Eurico Miranda e a impugnação de Rui Costa Pimenta são fatos que comprovam que o chamado Estado Democrático de Direito não passa de um amontoado de palavras em defesa dos interesses da burguesia contra os interesses da classe operária. Para retirar um candidato das eleições e não atrapalhar que Lula seja reeleito no 1º turno, o TSE rasga até mesmo a Constituição que diz observar. Mas o próprio ministro collorido, que diz defender os mais altos valores morais da sociedade reconheceu que " o julgamento não será, em termos de crivo de Tribunal Superior Eleitoral, entendido pela sociedade, que anseia pela correção de rumos, objetivando a punição daqueles que, de alguma forma, se mostrem - pelo menos no campo da presunção - como transgressores da ordem jurídica".
Seria o caso de o próprio Ministro Marco Aurélio de Mello assumir sua inclusão no rol daqueles que se mostrem como transgressores da ordem jurídica, ele mesmo o maior transgressor da ordem jurídica vigente.