Pará

Em um ano, polícia mata 800 pessoas, oficialmente

Segundo a ouvidoria do Sistema de Segurança Pública do Pará, só em 2008 foram registrados pelo menos 800 casos de execução promovidos por policiais civis e militares e agentes penitenciários

15 de fevereiro de 2009

As atrocidades cometidas por policiais civis e militares foram denunciadas pela população do Pará, demonstrando que as execuções são uma forma de atuar rotineira da polícia e não uma atitude isolada de um ou outro soldado.

As denúncias foram feitas para a ouvidoria do Sistema de Segurança Pública do Pará, um órgão do governo cuja função é averiguar as violências causadas por policiais, mas que na prática omite as brutalidades desta. Entretanto, a situação é tão escandalosa que a ouvidoria foi obrigada a divulgar um número que, embora esteja muito subestimado, é já bastante alto. De acordo com os dados da ouvidoria, apenas em 2008 foram feitas 800 denúncias contra policiais civis, militares e agentes penitenciários, todos acusados de executar jovens a queima roupa.

As mortes possuíam os claros sinais de execução, alguns também possuíam sinais de tortura. Os atos, classificados como uma barbárie, possuíam sempre a mesmas características, “como tiro nas costas, na cabeça, no coração a curta distância e na nuca com a vítima já algemada” (O Globo, 13/2/2009). A precisão dos tiros e até mesmo das torturas revela que se trata de assassinos profissionais.

Uma das denúncias feitas partiu da mãe de um jovem de 15 anos que foi assassinado, juntamente com seu amigo, de 29 anos, com tiros nas costas disparados por um PM, que supostamente teria confundido os rapazes com “bandidos”. A atitude não seria justificada mesmo que se tratasse do maior traficante do estado, pois isso não daria à polícia o poder de executá-lo com tiros nas costas.

Mesmo os casos tendo sido identificados como execuções cometidas por policiais, inclusive com denúncia dos familiares e testemunhas, nada foi feito contra os assassinos fardados que continuam à solta matando e reprimindo a população a serviço dos governos burgueses.

Os grupos paramilitares, bem como as milícias formadas por policiais, nada mais são do que formas de atuar da polícia, um órgão falido do Estado burguês, cuja única função é promover a matança dos trabalhadores impedindo qualquer tentativa de mobilização da população. Eles não só atuam com o consentimento dos políticos burgueses e da justiça burguesa, como são financiados pelos mesmos. A população civil não agüenta mais as brutalidades e as manifestações populares espontâneas contra a intervenção da PM estão se intensificando, revelando a profunda crise em que se encontra o regime político no País.