O Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado (Udemo), representante dos diretores de escolas informa em seu site que seu Conselho Deliberativo “decidiu que, para mostrar a nudez deste Governo com relação à educação, ou seja, a sua total falta de propostas para a escola pública e seus profissionais, nada melhor do que instituir um "Dia do Nu Pedagógico", na rede. Foi escolhido o Dia do Professor, dia 15 de outubro, para esse ato”.
O “sindicato” – entidade burocrática, que representa o setores mais reacionário da categoria, executores da política governamental, contra os educadores e o ensino público - que nunca fez nada de fato para se opor a tais ataques informa ainda que também participariam desse ato de desmoralização da luta da categoria, as seguintes entidades do magistério paulista: Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação (Afuse), Centro do Professorado Paulista (CCP), Associação dos Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp), Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo.
As mesmas entidades sindicais que traíram os educadores em todas as últimas campanhas salariais e “unificadamente” em 2007, em conluio com a burocracia do bando dos quatro que dirige a Apeoesp (PT-PSTU-PCdoB-Psol), em total acordo com o governo Serra, para quebrar a mobilização da categoria que vinha num ascenso e deram o golpe de sair da mobilização quando o governo ofereceu reajustes exclusivamente para diretores, vices, supervisores e coordenadores, fazem, agora, um novo chamado à “unidade”: fiquemos todos pelados!: “colegas, vamos lá ! No dia 15, todos à Praça da República, para o Dia do Nu Pedagógico !”, lê se na mensagem da Udemo, acrescido de um alerta, que mais ridículo e desmoralizante impossível: “Atenção: pedimos aos colegas que não se bronzeiem nem tentem melhorar o visual. Vamos mostrar a nossa realidade: nua e crua ! Contamos com você!!”
Tal proposta desmoralizante, além de demonstrar total afastamento dessas burocracias sindicais da base da categoria, tem o claro objetivo de incutir nos professores a idéia de que não há nada a fazer diante da situação em que se encontra a educação pública no estado de São Paulo, pois, tudo o que esses sindicalistas poderiam fazer já o fizeram, e como declarou o presidente da Udemo , Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto “ a única forma desse pessoal ouvir é ficando nu na praça”.
A tentativa de desmoralizar a categoria e sua luta é por demais evidente. A diretoria da Apeoesp, maior sindicato da categoria, vem dando sua contribuição decisiva: dias atrás realizou uma “assembléia” na Praça da Sé, em que pouco mais de 100 professores (nem a diretoria estava presente) se misturam a mendigos para anunciar que vai preparar um greve para .... março do ano que vem. Isso quando os professores estão com os salários congelados e valendo um quarto do que valiam há três décadas e quando Serra está impondo novos ataques contra temporários e efetivos, impondo um caos nas escolas.
A burocracia organiza esta “palhaçada” para tentar ocultar que situação em que se encontra a categoria não é obra do acaso, mas resultado de uma política consciente levada adiante pelo governo de destruição do ensino público, apoiada pela burocracia de todos estes sindicatos, que arrecada mais de R$ 60 milhões dos trabalhadores da Educação e nunca organizaram nenhuma luta real contra as medidas do governo e sabotaram todas as mobilizações da categoria.
Mesmo no momento de maior enfraquecimento do governo, provocado pela crise gerada pelo enfrentamento dos estudantes da USP contra os ataques de Serra, estas entidades não se uniram, pelo contrário, a Apeoesp acabou com a greve de um dia da categoria, apoiada pela falsa “oposição” que compõem a diretoria, o que provocou grande revolta dos professores, e as demais entidades nem a greve aderiram.
Teria sido impossível supor que os vários governos do PSDB, de Covas a Serra, pudesse manter essa política de ataque aos professores sem a conivência e o apóio dessas entidades.
Nas últimas semanas, trabalhadores dos correios, bancários, metalúrgicos e educadores de vários estados foram à luta para conquistar reposições salariais, organizaram greves e mobilizações, na maioria das vezes enfrentando a política de paralisia da burocracia. Os “líderes” do magistério pauista querem que os educadores tirem as roupas.
Se esses sindicalistas querem ficar pelados e se desmoralizarem ainda mais que fiquem, realizando um triste e lamentável espetáculo de exposição da falência total da burocracia.
Os educadores devem rejeitar esta desmoralização, denunciar a farsa e se apoiar em outra política: organizar a luta da categoria contra as medidas do governo de forma totalmente independente desta burocracia desmoralizada.
Lutar contra o PLC 29: nem Câmara de Deputados nem tirar a roupa.
A manobra clássica da diretoria da APEOESP, dirigida pelo bando
É preciso rejeitar o caminho clássico de derrota da burocracia da Apeoesp (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) e dos demais sindicatos: fingir que lutam e levar os professores e demais trabalhadores para a Assembléia Legislativa, para servirem de público a seus deputados, principalmente para os “seus” que são candidatos à reeleição no próximo ano.
Eles não estão nem ai para o PLC 29, para o arrocho salarial, a superlotação das salas de aula, milhares de professores desempregados. Essa burocracia age apenas em função seus próprios interesses que são completamente distantes das necessidades e dos interesses da categoria.
Diante dessa situação de total covardia e desmoralização da burocracia sindical é preciso denunciá-la em todas as escolas por sua cumplicidade com os ataques do governo. Ao mesmo tempo, dar o combate pelo fortalecimento de um verdadeiro movimento de oposição no interior da categoria, a partir das escolas, independentes da burocracia sindical, para superar a sua paralisia e abrir caminho para uma verdadeira luta dos trabalhadores da educação, única forma de garantir vitória dos trabalhadores do setor contra o governo e os sindicalistas que querem ver a categoria pelada e desmoralizada.