Bode expiatório

Única punida é ministra negra

Enquanto todos fazem a festa com o dinheiro do povo, única pessoa que sofreu alguma sanção foi a ministra da Igualdade Racial

8 de fevereiro de 2008

Enquanto foram gastos quase R$ 80 milhões em gastos pessoais por inúmeros altos funcionários do governo, incluindo aí os mais astronômicos gastos feitos pelo próprio gabinete da presidência da República, de R$ 3,6 milhões realizados por apenas sete funcionários em um ano, nenhum ministro, secretário ou agente do governo foi punido. De todos os casos excetua-se apenas um. A primeira das acusadas no caso dos cartões corporativos foi a ministra Matilde Ribeiro, de Igualdade Racial, que teria pedido demissão no último dia 1º depois que foram descobertos gastos de R$ 170 mil em um ano em gastos pessoais em seu cartão. 

Lula assinou no Diário Oficial do último dia 6 a exoneração do cargo de Matilde, que foi a única punida até então.

Este é um caso de racismo explícito do governo Lula, que está sendo encoberto com a cínica colocação de que a ministra pediu para abandonar o cargo pressionada pelas denúncias.

O caso também demonstra o caráter venal e racista da imprensa burguesa, já que foi divulgada matéria no site da Folha de S. Paulo denunciando somente a ministra e nenhum outro ministro ao funcionário do governo.

Matilde Ribeiro foi utilizada como bode expiatório de um caso que envolve milhares de pessoas e especialmente os ministros da República e o próprio Lula e a sua escolha se deu justamente por ser mulher e negra.

Em meio aos escândalos de corrupção, mesmo dentro do próprio Congresso Nacional em Brasília, onde realizam uma verdadeira orgia com o dinheiro público, prevalece a lei da burguesia de que as camadas mais oprimidas da população devem pagar pelos crimes e crises que ela mesma provoca.