Fora a polícia do campus! Abaixo a censura!

Polícia Federal apreende servidor livre na Unicamp

O governo da Holanda acionou a reitoria da Unicamp para que servidor fosse tirado do ar. A polícia entrou ŕ paisana e apreendeu o servidor dentro da universidade

20 de agosto de 2008

No dia 6 de agosto, a Polícia Federal entrou à paisana no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp e apreendeu um servidor livre do grupo de pesquisa em tecnopolítica, denominado Saravá.
 
Segundo informações de integrantes do grupo, o alvo da polícia era um sítio holandês que era hospedado pelo grupo. O sítio publicava textos de protesto contra o governo holandês contra medidas do governo que pretendem expulsar mais de 20 mil imigrantes do país. O texto denunciava nomes e o local de trabalho dos políticos envolvidos na atitude fascista do governo holandês. 
No sítio de apresentação do grupo Saravá, podia-se encontrar o seguinte texto:

"O Saravá é um grupo que estuda e realiza tecnopolítica. (...)A idéia é que os próprios grupos, além de levarem a cabo seus objetivos, também ajudem na construção de um espaço comum a todos eles. (...) O discurso corrente de que, em nome da segurança a civilização ocidental, as liberdades civis precisem ser reduzidas, o direito de expressão é facultativo e que todas as decisões são de caráter técnico tem repercutido no espaço eletrônico para uma diminuição dos serviços livres e para a criação de uma meritocracia controladores dos recursos computacionais. (...) o Coletivo Saravá propõe um modelo alternativo ao possibilitar que a própria formação social crie e controle seu sistema de manipulação informacional e assim fomentar a eliminação de barreiras burocráticas ao diminuir a distância entre os/as mantenedoras do sistema e os projetos hospedados. A isto chamamos de Desburocratização da Internet. Avizinhamento das relações tecnopolíticas" (www.saravá.org.br)

Com a polêmica publicada, o governo holandês entrou em contato com a reitoria da Unicamp para que o sítio fosse retirado do ar. A reitoria atendeu a ordem da Polícia Federal que apreendeu o servidor, censurando inúmeros sítios que ali se hospedavam, inclusive os de outros grupos de pesquisa da própria universidade, como os vinculados ao Departamento de Antropologia do IFCH.

A volta da censura

Há inúmeros casos de consura que vêm crescendo na universidade, como a proibição de panfletagens, colagem de cartazes, de realização de festas, entre outras medidas em vários campi. A internet vem se tornando um dos meios os quais mais enfrentam a oposição da direita retrógrada que quer impedir o livre acesso da população à informação. São inúmeros os casos de ataque à liberdade de expressão quanto à internet dentro da universidade, desde a proibição de baixar músicas e filmes, até a tentativa de censurar páginas e servidores, retirando-os do ar, como neste caso.

No mês de junho, um relatório da WIA (Acesso Mundial a Informação), apontou que em 2003, 64 pessoas foram presas por denunciar esquemas de corrupção dos governos e empresários, abuso policial e desrespeito aos direitos humanos na internet. O relatório também deixa clara a tendência mundial de legislações mais duras para controlar os blogs e sites dos internautas.

O caso do sítio que denunciava o fascismo na Holanda segue o exemplo do Brasil, em que se tenta transformar em "calúnia" e "difamação" o livre pensamento, o que nada mais é que uma censura velada que avança cada vez mais para a censura aberta, com a proibição de publicar artigos, entre outros, o que é totalmente inconstitucional.

 

Além da censura de sites e etc, o caso na Unicamp é ainda mais absurdo pelo caráter repressivo e a presença da polícia no campus, fazendo lembrar os grupos carrascos da ditadura militar. Foi tudo feito às escondidas. Quando os alunos do instituto foram questionados, ninguém sabia do caso, isso porque os policiais entraram no laboratório onde o servidor era guardado, à paisana.

A Polícia, supostamente é proibida de entrar no campus, o que não vem acontecendo nesses últimos tempos, muito pelo contrário.A presença de rondas policiais é cada vez mais constante não apenas na Unicamp como na USP e outras universidades públicas em todo o País. Numa tentativa de impedir que os estudantes e sua ala mais combativa se organize e proteste dentro da universidade, a polícia é acionada sempre para defender a reitoria. O próprio reitor permitiu que a Polícia Federal apreendesse o material no instituto, mostrando que este é adepto total ala ligada à ditadura militar na universidade. 

A falsa democracia da universidade é desmascarada com tais medidas repressivas, que tem como objetivo calar a boca dos estudantes. Neste caso a direita quer dizer que a Internet é "democrática" demais e que por isso é necessário impedir projetos como o do grupo, que são uma alternativa diante da burocratização da rede.

A população não deve se deixar enganar com as falácias sobre “segurança”, “limpeza”, como no caso da cidade de São Paulo, e quaisquer outras alegações éticas para reprimir a população.

É necessário exigir o fim de toda e qualquer censura e defender o direito de todo cidadão ou organização de denunciar, informar e esclarecer a população. Os estudantes deve defender sobretudo o seu direito organização e expressão.

 

Abaixo a ditadura nas universidades!

Abaixo a volta das leis de censura!

Fora a polícia do campus!