Declaração do Movimento pela Refundação da IV Internacional
Abaixo a guerra imperialista e todos os governos que a apóiam. Defender o Iraque contra os invasores anglo-americanos

231 de março 2003

1. O imperialismo norte-americano, seu acólito britânico e todos os seus cúmplices no mundo capitalista abriram as comportas da barbárie, gerada por seu sistema social em decomposição, lançando, finalmente, sua campanha militar contra o Iraque. Não é somente uma agressão provocada contra o povo iraquiano; é uma nova onda de crimes contra a Humanidade.
O novo louco Nero na Casa Branca, George W. Bush, vendo o Iraque em chamas e lendo a declaração de guerra, cinicamente reconheceu que um número desconhecido de vidas de civis inocentes será sacrificado como "efeito colateral" e, ademais, que a agressão imperialista contra o Iraque e a "mudança de regime" em Bagdá eram apenas o passo inicial de uma terrorista "guerra contra o terrorismo" de duração indefinida em todo o oriente médio e em todo o planeta. Irã, Coréia do Norte, Síria, Arábia Saudita, Iêmen, uma série de ex-repúblicas soviéticas (de acordo com uma declaração do próprio regime de Putin), outros 60 países colocados como parte do "Eixo do Mal" estão na inconclusa lista de agressões terroristas do imperialismo.
Os objetivos da guerra do imperialismo norte-americano não são só a ocupação militar de um Iraque rico em petróleo mas também redesenhar o mapa político de todo o Oriente Médio e a radical reestruturação de todas as relacões entre os Estados e as classes em escala internacional, de acordo com as urgentes necessidades da crescente e insolúvel crise capitalista mundial.
Como é bem conhecido, os neo-hitlerianos que estão no comando em Washington, a bancada dos "neo-conservadores" de Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld e Dick Cheney já em 1997 tinham esboçado um "Projeto para um novo século norte-americano" , o PNAC (de acordo com a sigla em inglês) , no qual chamavam à "derrocada do regime de Saddam Hussein do poder" e a uma "reafirmação da supremacia dos Estados Unidos" nessa região estratégica e em todo o mundo. O PNAC foi corretamente caracterizado como um "desenho da dominação mundial dos Estados Unidos". A tormenta de mísseis Cruise e Tomahawk sobre Bagdá desde o dia 20 de março é o primeiro ato de implementação desse cenário de pesadelo.
Mas o grandioso "Projeto para um novo século norte-americano" levará na verdade a um "Século anti-norte-americano". Os guerreiros e criminosos de guerra subestimaram tanto as reações quanto a resistência das massas oprimidas na região e no mundo, bem como também o impacto da guerra na crise de seu próprio sistema social, que se torna cada vez mais aguda.
A globalização financeira das últimas décadas não só foi incapaz de conter a crise ou de iniciar uma nova época de capitalismo triunfante em todo o mundo, mas conduziu a catástrofes sociais, quebras financeiras internacionais , bancarrotas de países inteiros como a Argentina e degenerou em uma série de guerras cada vez mais devastadoras. O imperialismo manifesta claramente sua natureza como a etapa histórica da decomposição capitalista e a barbárie, uma época de guerras e revoluções.
O colapso da União Soviética não regenerou o sistema capitalista, historicamente em decadência. Uma década depois, o capital encontra mais uma vez sua barreira no próprio capital.

2. A reafirmação da política imperial dos Estados Unidos não é uma manifestação da fortaleza "invencível" da "única superpotência do mundo" como afirmam os apologistas e os impressionistas. E sim a manifestação do declínio da força capitalista hegemônica mais poderosa, os próprios Estados Unidos, no marco do declínio histórico e da crise do capitalismo mundial. O colapso do sistema de Bretton Woods em 1971 e a histórica vitória da revolução vietnamita em 1975 marcaram um ponto de virada. A partir da década de 80, o capitalismo norte-americano se transformou de maior exportador de capital em maior importador, financiando seus déficits comerciais e de impostos federais com o ingresso de capitais externos. Não pode regular suas próprias contradições internas sem um equilíbrio mundial, que entrou em colapso com a erupção e o desenvolvimento da crise capitalista mundial. O capitalismo norte-americano, apesar de sua superioridade em relação aos capitalismos europeu e japonês, acumulou em seus fundamentos todas as contradições mundiais. O capitalismo norte-americano necessita urgentemente de uma nova forma de dominação no caótico mundo do pós-guerra fria.
Este redesenho das relações políticas internacionais e das relações de classes significa o início de um período de explosões políticas e levantes sociais. A política exterior dos Estados Unidos se transformou no maior fator de radicalização política no mundo ao empurrar milhões às ruas em ações contra a guerra e contra o imperialismo, ao desestabilizar regimes e governos, em todos os continentes, ao exacerbar todas as contradições econômicas e políticas do capitalismo mundial.

3. Nascida da crise, a guerra está aprofundando a crise em todas as suas formas. As tendências mundiais à deflação e à depressão vão se acelerar. A União Européia é particularmente vulnerável mas a economia dos Estados Unidos , o centro da crise mundial, não escapará ao momento da hora da verdade.
A campanha para a guerra exacerbou todos os antagonismos internacionais, aumentou dramaticamente o conflito entre Europa e Estados Unidos, fraturou a Otan e a União Européia, destruiu as Nações Unidas como a conhecemos depois da Segunda Guerra Mundial. Começou um período de crises políticas e convulsões . Milhões de oprimidos , particularmente a juventude, participam na corrente de manifestações de massas e ações contra a guerra em todos os países, tanto no centro como na periferia, em uma escala nunca vista desde a guerra do Vietnã. Muitos meses antes da guerra, milhões estavam nas ruas. Desde 20 de março, a onda do movimento de massas contra a guerra continua crescendo em todo o mundo. De Nova Iorque, São Francisco e Londres a Buenos Aires, Cairo, Atenas, Jerusalém, Roma, Madri, Bilbao, Amã, Paris, Berlin, Cidade do México, Sidnei e Tóquio. Esta " Tormenta das Cidades" dos povos superou a imperialista "Operação Tormenta no Deserto" da Guerra do Golfo de 1991.
As massas se converteram em um fator integral e poderoso na política mundial, que afeta as operações militares , que debilita todos os preparativos políticos das classes dominantes, que desestabiliza governos e regimes. Não haverá mudança de regime só em Bagdá. O grito de guerra do povo argentino - Que se vão todos ! - está em vias de ser globalizado.

4. Os invasores imperialistas terão que se enfrentar não só com o heróico povo do Iraque no campo de batalha, mas também com um movimento contra a guerra sem precedentes. Agora, mais do que nunca, a classe operária mundial, a juventude e todas as massas oprimidas , todas as organizações operárias e os movimentos populares devem desenvolver uma incansável campanha contra a guerra com manifestações de massas, ações de greve e greves gerais, bloqueios de embaixadas e bases militares dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, interrompendo todo transporte de pessoal ou material militar por vias férreas, portos e aeroportos. Particularmente nos países que participam na campanha encabeçada pelos Estados Unidos, deve-se enfatizar as reivindicações de "nem um soldado e nem um centavo para a guerra" e "tragam as tropas de volta" Esta guerra imperialista reacionária deve ser parada e derrotada pela ação classista das massas e o Iraque e seu povo devem ser defendidos incondicionalmente até a vitória.
Chamamos os Curdos e seus lutadores a rejeitar toda forma de colaboração com o imperialismo norte-americano e as forças armadas turcas, a bloquear qualquer intenção de abrir uma Frente Norte pelos Estados Unidos e/ou a ocupação turca de kirkuk , Mossul e a região do Curdistão. Pelo direito à autodeterminação nacional do povo Curdo! Pela unidade dos curdos e o povo árabe iraquiano para derrotar os invasores imperialistas!
Os povos curdo e palestino pagarão, junto com os povos de toda a região, um alto preço se esta guerra imperialista for vitoriosa. Derrotar a expulsão da população palestina planejada pelos cães de guerra sionistas de Bush ! Abaixo a máquina de terror estatal e de ocupação do sionista Sharon! Pelo direito à autodeterminação do povo palestino! Pela vitória da Intifada! Por uma Palestina laica e socialista em todo seu território histórico no marco de uma Federação Socialista do Oriente Médio!
As ilusões que se difundem no papel das Nações Unidas ou do imperialismo europeu particularmente do francês e do alemão e toda forma de colaboração de classe com os capitalistas em seu próprio país em nome da "paz" devem ser rejeitadas. A independência política da classe operária é crucial para unir todas as massas populares contra a guerra e o sistema social que a gera. As forças revolucionárias tem que intervir fortemente nas crises políticas produzidas pela guerra para transformá-las em situações revolucionárias e converter a guerra imperialista em uma guerra de libertação do jugo imperialista e da escravidão capitalista.
O caminho para um mundo de paz e justiça é o caminho da revolução socialista mundial.
Chamamos os lutadores de vanguarda em todo o mundo a unir-se à luta por construir uma internacional revolucionária dos trabalhadores, a luta pela Refundação da IV Internacional para conduzir esta luta contra a guerra imperialista e todos os seus governos, pelo poder para os trabalhadores e o socialismo mundial.

Movimento pela Refundação da IV Internacional
23 de março de 2003