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1.
O imperialismo norte-americano, seu acólito britânico e todos
os seus cúmplices no mundo capitalista abriram as comportas da
barbárie, gerada por seu sistema social em decomposição,
lançando, finalmente, sua campanha militar contra o Iraque. Não
é somente uma agressão provocada contra o povo iraquiano;
é uma nova onda de crimes contra a Humanidade.
O novo louco Nero na Casa Branca, George W. Bush, vendo o Iraque em chamas
e lendo a declaração de guerra, cinicamente reconheceu que
um número desconhecido de vidas de civis inocentes será
sacrificado como "efeito colateral" e, ademais, que a agressão
imperialista contra o Iraque e a "mudança de regime"
em Bagdá eram apenas o passo inicial de uma terrorista "guerra
contra o terrorismo" de duração indefinida em todo
o oriente médio e em todo o planeta. Irã, Coréia
do Norte, Síria, Arábia Saudita, Iêmen, uma série
de ex-repúblicas soviéticas (de acordo com uma declaração
do próprio regime de Putin), outros 60 países colocados
como parte do "Eixo do Mal" estão na inconclusa lista
de agressões terroristas do imperialismo.
Os objetivos da guerra do imperialismo norte-americano não são
só a ocupação militar de um Iraque rico em petróleo
mas também redesenhar o mapa político de todo o Oriente
Médio e a radical reestruturação de todas as relacões
entre os Estados e as classes em escala internacional, de acordo com as
urgentes necessidades da crescente e insolúvel crise capitalista
mundial.
Como é bem conhecido, os neo-hitlerianos que estão no comando
em Washington, a bancada dos "neo-conservadores" de Paul Wolfowitz,
Donald Rumsfeld e Dick Cheney já em 1997 tinham esboçado
um "Projeto para um novo século norte-americano" , o
PNAC (de acordo com a sigla em inglês) , no qual chamavam à
"derrocada do regime de Saddam Hussein do poder" e a uma "reafirmação
da supremacia dos Estados Unidos" nessa região estratégica
e em todo o mundo. O PNAC foi corretamente caracterizado como um "desenho
da dominação mundial dos Estados Unidos". A tormenta
de mísseis Cruise e Tomahawk sobre Bagdá desde o dia 20
de março é o primeiro ato de implementação
desse cenário de pesadelo.
Mas o grandioso "Projeto para um novo século norte-americano"
levará na verdade a um "Século anti-norte-americano".
Os guerreiros e criminosos de guerra subestimaram tanto as reações
quanto a resistência das massas oprimidas na região e no
mundo, bem como também o impacto da guerra na crise de seu próprio
sistema social, que se torna cada vez mais aguda.
A globalização financeira das últimas décadas
não só foi incapaz de conter a crise ou de iniciar uma nova
época de capitalismo triunfante em todo o mundo, mas conduziu a
catástrofes sociais, quebras financeiras internacionais , bancarrotas
de países inteiros como a Argentina e degenerou em uma série
de guerras cada vez mais devastadoras. O imperialismo manifesta claramente
sua natureza como a etapa histórica da decomposição
capitalista e a barbárie, uma época de guerras e revoluções.
O colapso da União Soviética não regenerou o sistema
capitalista, historicamente em decadência. Uma década depois,
o capital encontra mais uma vez sua barreira no próprio capital.
2. A reafirmação da política imperial dos
Estados Unidos não é uma manifestação da fortaleza
"invencível" da "única superpotência
do mundo" como afirmam os apologistas e os impressionistas. E sim
a manifestação do declínio da força capitalista
hegemônica mais poderosa, os próprios Estados Unidos, no
marco do declínio histórico e da crise do capitalismo mundial.
O colapso do sistema de Bretton Woods em 1971 e a histórica vitória
da revolução vietnamita em 1975 marcaram um ponto de virada.
A partir da década de 80, o capitalismo norte-americano se transformou
de maior exportador de capital em maior importador, financiando seus déficits
comerciais e de impostos federais com o ingresso de capitais externos.
Não pode regular suas próprias contradições
internas sem um equilíbrio mundial, que entrou em colapso com a
erupção e o desenvolvimento da crise capitalista mundial.
O capitalismo norte-americano, apesar de sua superioridade em relação
aos capitalismos europeu e japonês, acumulou em seus fundamentos
todas as contradições mundiais. O capitalismo norte-americano
necessita urgentemente de uma nova forma de dominação no
caótico mundo do pós-guerra fria.
Este redesenho das relações políticas internacionais
e das relações de classes significa o início de um
período de explosões políticas e levantes sociais.
A política exterior dos Estados Unidos se transformou no maior
fator de radicalização política no mundo ao empurrar
milhões às ruas em ações contra a guerra e
contra o imperialismo, ao desestabilizar regimes e governos, em todos
os continentes, ao exacerbar todas as contradições econômicas
e políticas do capitalismo mundial.
3. Nascida da crise, a guerra está aprofundando a crise
em todas as suas formas. As tendências mundiais à deflação
e à depressão vão se acelerar. A União Européia
é particularmente vulnerável mas a economia dos Estados
Unidos , o centro da crise mundial, não escapará ao momento
da hora da verdade.
A campanha para a guerra exacerbou todos os antagonismos internacionais,
aumentou dramaticamente o conflito entre Europa e Estados Unidos, fraturou
a Otan e a União Européia, destruiu as Nações
Unidas como a conhecemos depois da Segunda Guerra Mundial. Começou
um período de crises políticas e convulsões . Milhões
de oprimidos , particularmente a juventude, participam na corrente de
manifestações de massas e ações contra a guerra
em todos os países, tanto no centro como na periferia, em uma escala
nunca vista desde a guerra do Vietnã. Muitos meses antes da guerra,
milhões estavam nas ruas. Desde 20 de março, a onda do movimento
de massas contra a guerra continua crescendo em todo o mundo. De Nova
Iorque, São Francisco e Londres a Buenos Aires, Cairo, Atenas,
Jerusalém, Roma, Madri, Bilbao, Amã, Paris, Berlin, Cidade
do México, Sidnei e Tóquio. Esta " Tormenta das Cidades"
dos povos superou a imperialista "Operação Tormenta
no Deserto" da Guerra do Golfo de 1991.
As massas se converteram em um fator integral e poderoso na política
mundial, que afeta as operações militares , que debilita
todos os preparativos políticos das classes dominantes, que desestabiliza
governos e regimes. Não haverá mudança de regime
só em Bagdá. O grito de guerra do povo argentino - Que se
vão todos ! - está em vias de ser globalizado.
4. Os invasores imperialistas terão que se enfrentar não
só com o heróico povo do Iraque no campo de batalha, mas
também com um movimento contra a guerra sem precedentes. Agora,
mais do que nunca, a classe operária mundial, a juventude e todas
as massas oprimidas , todas as organizações operárias
e os movimentos populares devem desenvolver uma incansável campanha
contra a guerra com manifestações de massas, ações
de greve e greves gerais, bloqueios de embaixadas e bases militares dos
Estados Unidos e Grã-Bretanha, interrompendo todo transporte de
pessoal ou material militar por vias férreas, portos e aeroportos.
Particularmente nos países que participam na campanha encabeçada
pelos Estados Unidos, deve-se enfatizar as reivindicações
de "nem um soldado e nem um centavo para a guerra" e "tragam
as tropas de volta" Esta guerra imperialista reacionária deve
ser parada e derrotada pela ação classista das massas e
o Iraque e seu povo devem ser defendidos incondicionalmente até
a vitória.
Chamamos os Curdos e seus lutadores a rejeitar toda forma de colaboração
com o imperialismo norte-americano e as forças armadas turcas,
a bloquear qualquer intenção de abrir uma Frente Norte pelos
Estados Unidos e/ou a ocupação turca de kirkuk , Mossul
e a região do Curdistão. Pelo direito à autodeterminação
nacional do povo Curdo! Pela unidade dos curdos e o povo árabe
iraquiano para derrotar os invasores imperialistas!
Os povos curdo e palestino pagarão, junto com os povos de toda
a região, um alto preço se esta guerra imperialista for
vitoriosa. Derrotar a expulsão da população palestina
planejada pelos cães de guerra sionistas de Bush ! Abaixo a máquina
de terror estatal e de ocupação do sionista Sharon! Pelo
direito à autodeterminação do povo palestino! Pela
vitória da Intifada! Por uma Palestina laica e socialista em todo
seu território histórico no marco de uma Federação
Socialista do Oriente Médio!
As ilusões que se difundem no papel das Nações Unidas
ou do imperialismo europeu particularmente do francês e do alemão
e toda forma de colaboração de classe com os capitalistas
em seu próprio país em nome da "paz" devem ser
rejeitadas. A independência política da classe operária
é crucial para unir todas as massas populares contra a guerra e
o sistema social que a gera. As forças revolucionárias tem
que intervir fortemente nas crises políticas produzidas pela guerra
para transformá-las em situações revolucionárias
e converter a guerra imperialista em uma guerra de libertação
do jugo imperialista e da escravidão capitalista.
O caminho para um mundo de paz e justiça é o caminho da
revolução socialista mundial.
Chamamos os lutadores de vanguarda em todo o mundo a unir-se à
luta por construir uma internacional revolucionária dos trabalhadores,
a luta pela Refundação da IV Internacional para conduzir
esta luta contra a guerra imperialista e todos os seus governos, pelo
poder para os trabalhadores e o socialismo mundial.
Movimento
pela Refundação da IV Internacional
23 de março de 2003
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