| Ocupação
A “Fúria Fantasma” se expande sobre o Iraque
O estado de emergência imposto pelo governo interino, sob a proteção da estratégia militar elaborada pelo imperialismo norte-americano, visa estabilizar o Iraque através do genocídio e da opressão do estado
10 de novembro de 2004
A mega ofensiva iniciada pelo Exército dos EUA, aprovada pessoalmente por George W. Bush e apoiada integralmente por seu primeiro-ministro do governo interino, Yiad Allawi, se intensifica cada vez mais, onde tanques, helicópteros, aviões, artilharia e mais de três mil fuzileiros avançam sobre Faluja, localizada a 50 quilômetros a oeste de Bagdá.
De um total de 300 mil habitantes, apenas 30 mil pessoas ainda permanecem na cidade, pois não têm dinheiro para partirem ou outro local para se protegerem da chamada “Fúria Fantasma”, nome da operação de ocupação que pretende tomar a cidade o mais rápido possível e “estabilizar” o país para as eleições de janeiro.
Segundo o comandante do Exército norte-americano no Iraque, general George Casey, haverá um intenso confronto onde um contingente de 15 mil fuzileiros navais, além de milhares de policiais iraquianos participarão do massacre da cidade símbolo da resistência contra a ocupação imperialista.
No entanto, há uma grande resistência dos combatentes iraquianos, não se sabendo ainda o número real de combatentes que estão na cidade, mas é certo que milhares de insurgentes já estão reorganizados em diversos pontos do Iraque. Só em Faluja, estima-se que além da população civil, uma média de, no mínimo, dois mil combatentes estão espalhados pela cidade.
Apesar da potência militar imperialista que está devastando Faluja, o próprio secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, declarou que a batalha será extremamente dura e não será a última.
Há informações de um número entre 15 e 38 pessoas teriam morrido nos primeiros combates, porém, no momento, não há dados precisos e nem como fazer um levantamento de quantas pessoas já morreram desde o fim de semana, incluindo soldados, insurgentes e civis.
A ofensiva militar já resultou no controle de duas pontes que cortam o Rio Eufrates, um hospital e uma estação de trem. Todas as fronteiras entre a Síria e a Jordânia estão bloqueadas, abrindo-se passagem apenas para o transporte de alimentos.
Sob a “Lei Marcial”, todo o país está sob a completa ditadura do governo interino, que é controlado à distância por Washington.
Todas as instituições governamentais e estradas de Faluja e Ramadi estão fechadas, não havendo luz nem água desde o domingo.
As duas cidades também estão sob o toque de recolher, sendo terminantemente proibido que qualquer pessoa esteja na rua entre as 18h e 6h. A população civil sofre um alto risco de ser abatida pelos soldados ou pela polícia iraquiana.
Além disso, o aeroporto internacional de Bagdá está fechado por, pelo menos, 48 horas. A capital também recebeu o toque de recolher.
Os bombardeios dos aviões militares passam por Faluja várias vezes durante a madrugada e inclusive durante o dia, onde a todo instante pode-se ouvir o barulho das explosões causadas pelas bombas e o barulho ensurdecedor das metralhadoras.
O homem mais procurado pelas tropas norte-americanas, o jordaniano Musab al-Zarqawi, é o suposto responsável pela organização da resistência dos insurgentes, que revidam os ataques com morteiros.
Há relatos de que mais de 300 iraquianos se ofereceram como homens-bomba, restando-lhes apenas morrer lutando contra a dominação do imperialismo. Há informações também de que mais de 100 carros-bomba estão espalhados por Faluja.
A situação revolucionária no Iraque torna-se cada vez mais insustentável à medida que as forças de coalizão despejam todo seu poderio militar sobre a população, revelando a profunda crise política e social no país. |