Iraque
O povo iraquiano resiste e demonstra a fraqueza do imperialismo norte-americano

Nas recentes investidas para a ocupação da cidade de Faluja, no sudoeste do Iraque, os EUA se deparam com a resistência da população e declarações mostram que precisavam da cobertura da “democracia” para massacrar a cidade

11 de novembro de 2004

As forças norte-americanas, juntamente com destacamentos policiais iraquianos avançam sobre a cidade de Faluja, considerada maior foco de resistência à invasão imperialista do Iraque. Apesar de terem chegado ao centro da cidade, às custas de aterrorizar a população, mantendo a cidade em estado de sítio, as tropas norte-americanas enfrentam o baixo moral e as dificuldades de enfrentar o povo iraquiano em seu próprio terreno.
A tentativa de controlar Faluja é seqüência da inacabada invasão à cidade que tomou corpo em abril deste ano (Veja aqui matérias relacionadas) e teve uma péssima repercussão para os EUA, que destruíram hospitais e bloquearam as saídas da cidade promovendo um verdadeiro banho de sangue.
Segundo as promessas de Washington, o governo norte-americano pretende “pacificar” a cidade até as eleições gerais planejadas para janeiro do ano que vem.
O que atrasou a continuidade do plano de dominação de Faluja foi justamente a necessidade dos EUA de encobrir suas ações com o governo iraquiano interino, indicado pelo ex-chefe da coalizão Paul Bremmer. As forças policiais iraquianas foram cooptadas e treinadas pelo Exército norte-americano, jogando a população iraquiana contra compatriotas para amenizar os atritos entre os invasores e o povo e justificar uma suposta eliminação de “insurgentes”, democraticamente conduzida sob a vontade do próprio povo iraquiano.
O primeiro-ministro indicado pelos EUA para governar o Iraque, Iyad Allawi concorda plenamente com o lançamento da ofensiva e pretende “leva-la até o fim”, defendendo abertamente os interesses do imperialismo norte-americano no país. Não fosse sua indicação para o cargo, a oposição de outros membros do governo provisório, de ocupação, teria oferecido resistência ao massacre de Faluja que se pretendia levar à cabo já no início do ano.
Os EUA estimam que há cerca de 20 mil membros organizados na resistência iraquiana, o que não levam em conta é que é um número crescente desde a invasão e que incluem mesmo setores cooptados pelas Forças Armadas norte-americanas, como alguns dos antigos membros das forças de Saddam Hussein.
Completando o quadro, três membros da família de Iyad Allawi foram seqüestrados após troca de tiros. Um primo, sua mulher e outro parente foram seqüestrados em sua casa em Bagdá e ainda não houve nenhuma manifestação por parte dos seqüestradores.
O próprio número de deserções nas forças iraquianas que atuam junto aos norte-americanos é um sinal da aguda crise em marcha no País e da decomposição, que o imperialismo norte-americano procura reparar com as eleições convocadas para janeiro, do governo fantoche no Iraque.