| Iraque
Ofensiva domina Faluja e conflitos estouram em várias cidades
Ao mesmo tempo em que a mega operação despeja todas suas forças contra a deserta cidade de Faluja, começam a surgir diversos focos de resistência em todo o país
12 de novembro de 2004
A operação, que antes era chamada por “Fúria Fantasma” e agora batizada de “Al Fajr” (amanhecer), sugerido pelos militares iraquianos, já tomou grande parte do território símbolo da resistência contra a ocupação imperialista.
As tropas norte-americanas e a Guarda Nacional iraquiana seguem sua mega ofensiva, iniciada na segunda-feira passada, na cidade de Faluja, a 50 quilômetros a oeste de Bagdá, e estimam que em 48 horas deverão dominar toda a cidade.
Segundo informações de comandantes do Exército dos EUA, cerca de 70% da cidade já está completamente dominada e os combatentes foram cercados entre a região leste e oeste da cidade.
No entanto, antes que a operação do massacre imperialista fosse iniciada, ao contrário do que pensava o comando militar norte-americano, houve uma grande mobilização de milhares de insurgentes, se espalhando por todo o Iraque e abrindo resistência em, pelo menos, 11 cidades do país.
Na última terça-feira, em Bagdá, um grupo de combatentes chamado Ansar al Jihad, seqüestrou três parentes do primeiro-ministro do governo interino, Yiad Allawi, sendo seu primo, sua esposa e sua nora, além de 23 policiais iraquianos. Os familiares do primeiro-ministro estão sendo ameaçados de serem degolados em dois dias se o governo não libertar combatentes que estão presos e abortarem imediatamente os ataques contra Faluja.
Quanto aos guardas, os insurgentes afirmaram não pretendem matar nenhum deles, porém, irão executar os próximos que forem capturados. Há relatos de que soldados norte-americanos também foram seqüestrados.
A facilidade do avanço do contingente de 15 mil soldados sobre Faluja, controlando diversos pontos estratégicos, se encontrou surpreendida à medida que a maioria dos combatentes se distribuiu em várias cidades do país formando focos contra a dominação dos EUA.
Ainda não há informações concretas de quantos civis já morreram por causa dos bombardeios e da artilharia pesada, entretanto, já foi dada a morte de 16 norte-americanos desde o início da operação.
Já o Exército dos EUA divulgou a informação de que, no mínimo, 70 militantes de grupos armados teriam morrido em confrontos.
O aeroporto internacional de Bagdá continua fechado por decreto da lei marcial imposta pelo governo interino. Um carro-bomba matou sete policiais em frente à uma delegacia na capital.
Além disso, as cidades de Mossul e Baiji, localizadas ao norte do Iraque, estão sob o toque de recolher devido aos conflitos que ocorreram, onde 16 pessoas morreram ao todo.
Diversas organizações internacionais que prestam serviços humanitários no Iraque estão denunciando as tropas norte-americanas por não permitirem que estes grupos prestem socorro às pessoas feridas.
Além de Faluja estar sem água, luz, cercada e bombardeada sistematicamente, a minoria que ainda permanece na cidade está completamente abandonada, sem o mínimo auxílio médico.
Até mesmo uma mulher que estava grávida acabou morrendo junto com seu filho por ter feito um aborto espontâneo por não ter socorro médico.
A ocupação imperialista é um verdadeiro massacre contra a população iraquiana em detrimento do monopólio mundial.
Sob a proteção de George W. Bush, o premiê Yiad Allawi e todo seu parlamento “legitimam” o terrorismo oficial realizado pelas forças militares dos EUA, que, no entanto, apesar de sua extrema superioridade militar, há mais de 20 meses ocupando o Iraque não conseguiram exercer plenamente sua ditadura nazista sobre os iraquianos que resistem ataca.
Nesse sentido, a crise no interior do Exército já começa a transparecer de forma acelerada, uma vez que os soldados norte-americano não encontram motivos reais para estar no Iraque e tão pouco para arriscarem suas vidas.
|