| Iraque
Imperialismo toma Faluja mas não controla o País
Mesmo anunciando o controle total da principal cidade que mantinha a resistência contra a dominação imperialista, vários conflitos ainda são identificados, expressando a enorme dificuldade em manter o domínio da população insurgida
16 de novembro de 2004 No domingo passado, o general do Exército dos EUA no Iraque, John Sattler, anunciou que a mega ofensiva de suas tropas para a dominação da cidade de Faluja, o principal ponto de resistência em todo o país, terminou adiantadamente.
Apesar da rápida tomada da cidade, um grande contingente de combatentes armados se espalhou estrategicamente pelo país e iniciaram focos de resistência em diversas cidades.
Além disso, o homem mais procurado pelo Exército dos EUA, Abu Musab al Zarqawi, supostamente responsável por ser o principal organizador das ações dos combatentes contra os soldados norte-americanos, não foi capturado.
Mesmo divulgando o domínio total de Faluja, os soldados norte-americanos não conseguiram controlar por completo alguns ataques de insurgentes, resultando ainda em confrontos armados, havendo a necessidade de permanecerem em combate.
O premiê do governo interino, Yiad Allawi, segundo porta-vozes, já tem nomes para compor o novo governo da cidade, recrutando policiais iraquianos e grupos paramilitares para defender o governo.
No centro de Faluja, a mesma ponte em que os insurgentes exibiram o corpo de dois funcionários norte-americanos carbonizados no mês de março, foi reaberta pelos soldados
Comandantes do Exército dos EUA afirmaram que um número entre mil e dois mil militantes de grupos de resistência iraquianos foram mortos, além de cerca de 500 terem sido capturados durante a ofensiva, iniciada há 8 dias, em que 10 mil soldados entraram em Faluja. Os organismos de grupos rebeldes negaram a confirmação.
Entre os militares norte-americanos, foi anunciada a morte de 38 soldados e 275 feridos. O número de civis que morreram neste mesmo período não foi divulgado.
Devido ao fechamento dos hospitais por parte das tropas norte-americanas, Faluja está debaixo de inúmeros corpos já em estado de putrefação. Um corpo mutilado, sem cabeça, braços e pernas foi encontrado coberto por uma manta.
Seqüestrados desde a semana passada, a esposa e nora do primeiro-ministro iraquiano foram libertadas, segundo divulgou a emissora de TV árabe Al Jazira. O primo de Allawi, continua sendo mantido como refém sob a ameaça de ser degolado.
Com o objetivo de “pacificar” a cidade de Faluja para as eleições programadas para janeiro, rapidamente o Exército pôde operar a maior ofensiva militar desde a invasão do Iraque, iniciada há 20 meses atrás sob o pretexto do até então ditador Saddan Hussein manter armas químicas e biológicas escondidas.
Ao mesmo tempo, os conflitos vão aumentando cada vez mais em diversas cidades do Iraque, como em Bagdá, Mossul, Beiji, Baquba, Buhriz e Tikrit.
O domínio de Faluja pelo Exército dos EUA de maneira alguma significa o controle total da cidade ou do País, uma vez que a potência militar do imperialismo norte-americano se mostra incapaz de conter a resistência da população. |