Iraque
Resultado da ocupação fracassada: a decomposição da CIA

17 de novembro de 2004

Um dos principais órgãos agentes do imperialismo, a CIA (Agência Central de Inteligência), é também um dos principais setores do governo Bush atingidos pela derrota da dominação política dos EUA no Oriente Médio, imposta pela maior crise militar norte-americana de todos os tempos na ocupação do Iraque.
A principal agência de atuação da indústria da guerra imperialista, representada por agentes e informantes disfarçados como empresários sob pretexto da "reconstrução do Iraque" e que formam a guarda pretoriana dos “falcões” de Bush espalhados mundialmente, atravessa grave crise de autoridade sob o comando do novo diretor, o ex-deputado republicano da Flórida Porter Goss.
Segundo o jornal The Washington Post, no dia 12 de novembro, o vice-diretor de operações da agência, Stephen R. Kappes, supervisor das atividades clandestinas da CIA, o setor que seria o mais importante na promoção do massacre iraquiano, demitiu-se depois de um suposto desentendimento com Patrick Murray, ex-assessor do Congresso que Goss trouxe para chefiar seu gabinete.
"Vários outros agentes seniores do serviço clandestino estão ameaçando sair", informou ao jornal, John E. McLaughlin, vice-diretor da CIA que comandou interinamente a agência nos últimos meses e que, por coincidência ou não, se aposentou na semana passada.
A imprensa burguesa norte-americana aponta Porter Goss como figura impopular entre os funcionários da agência pelas críticas realizadas quando presidia a Comissão de Inteligência da Câmara. Os críticos de Goss alegam que ele e os seus assessores trazidos após as eleições, de círculos republicanos, chegaram com uma visão negativa sobre o serviço clandestino. Os simpatizantes do novo diretor afirmam, ao contrário, que tudo não passa de uma tentativa de funcionários identificados com o Partido Democrata de resistir à nova chefia. A imprensa destaca também o caso em que Michal J. Kostiw, ex-agente que ele escolheu para diretor-executivo, terceiro mais alto cargo da CIA, teve seu nome retirado da lista de candidatos, quando o Washington Post revelou que ele fora demitido da CIA vinte anos atrás por ter roubado um pacote de bacon num supermercado. O que seria motivo de uma grande piada ou resultado de mera disputa de cargos entre democratas e republicanos, ou simplesmente setores divergentes isolados dos acontecimentos nacionais, tem sido motivo para uma profunda crise nos bastidores do poder da Casa Branca.
Fica clara a crise e contradição generalizada que atinge a derrota no Iraque junto aos altos cargos do governo Bush. Questões como o desenrolar do caso sobre a presença de armas químicas no Iraque, totalmente desmentido e desmoralizado diante da população, e sobre as atrocidades da guerra entre torturas de prisioneiros de guerra, civis e diversos crimes com destaque para uma provável relação com a CIA, freqüentemente divulgados pela imprensa, com destaque para o órgão na agência de crime de guerra, resulta no fato, aos quais se referem os principais órgãos de imprensa dos EUA, de que a crise possa “prejudicar a luta da CIA contra o terror”.
A crise do setor de atividades clandestinas de guerra do governo Bush, diga-se o órgão de Estado com a função de promover o massacre do povo iraquiano para implantar os planos norte-americanos mais obscuros, um dos pilares da guerra imperialista por petróleo no Oriente Médio e do sistema de segurança imperialista no mundo, é resultado da derrota do imperialismo no Iraque e do levante popular contra a ocupação dos EUA e da profunda tendência revolucionária mundial, da deterioração do domínio político e econômico do regime de Estado burguês em caráter internacional.