| Iraque
Apoiados pelas tropas imperialistas, policiais iraquianos atacam hospitais em Faluja
17 de novembro de 2004
Na noite do último dia 7, quando começou o combate na cidade de Faluja, o hospital da cidade foi tomado por soldados norte-americanos e iraquianos, a pretexto de garantir que houvesse uma instalação para tratar os civis e garantir que os insurgentes não exagerassem nas baixas.
Depois de mais de uma semana, quando os combates começaram a diminuir, começaram a surgir os relatos de civis sobre a carnificina e a destruição promovida pelas tropas na cidade, dentre eles, o do doutor Ahmed Ghanim, que contou as atrocidades promovidas no hospital da cidade.
Segundo ele, os policiais iraquianos e soldados norte-americanos entraram no hospital, algemaram os médicos e levavam os pacientes para o estacionamento. Ghanim conta que os policiais “roubaram os celulares, o cofre do hospital e danificaram ambulâncias e carros”.
“Formos chutados pela Guarda Nacional iraquiana. Eles estavam assediando os pacientes, amarrando os médicos e até batendo neles”, conta Farhan Khalaf, um homem de 58 anos que estava no hospital de Faluja no momento da tomada.
O doutor Ghanim declarou que quando o local foi invadido pelos soldados, ele conversou com um general norte-americano, explicando a localização de um centro de triagem, no centro de Faluja, onde havia uma sala de operações. Segundo o médico, o general apresentou duas condições para que o centro não fosse bombardeado: não poderia haver ninguém portando armas no interior do prédio e nenhum grupo poderia se reunir perto das portas.
“Isso era impossível pois as pessoas vinham em grupo trazendo familiares e amigos feridos”, disse Ghanim. Poucos dias depois, o bombardeio passou pelo centro da cidade.
Descrevendo os horrores que passou durante a ofensiva norte-americana na cidade, o médico se emocionou ao lembrar da falta de condições para tratar dos feridos: “Eu estava amputando vários pacientes. Mas sou um cirurgião ortopedista, se um paciente chega ferido no abdome, não posso fazer nada. Trazíamos o paciente para dentro e esperávamos que ele morresse”.
Foram divulgadas por diversas redes de televisão imagens de um civil iraquiano sendo sumariamente executado por um soldado norte-americano. As imagens mostravam um grupo de soldados entrando numa mesquita totalmente destruída, onde encontraram corpos de iraquianos mortos. Logo depois, um dos soldados grita com um civil que estava estirado no chão, acusando-o de estar fingindo-se de morto e o executa a tiros de fuzil. O homem estava desarmado e não apresentava nenhum sinal de resistência.
A truculência dos soldados norte-americanos e da Guarda Nacional iraquiana é o reflexo do desespero e da extrema dificuldade que têm para controlar a resistência da população, mesmo amparados pelo maior e mais bem equipado exército do planeta. |