Iraque
Invasão norte-americana dobra o número de crianças desnutridas


25 de novembro de 2004

A invasão norte-americana no Iraque fez que com que aumentasse o número de crianças desnutridas no país. O número praticamente dobrou, passou de 4% há dois anos (a invasão já dura 20 meses) para 7,7% - cerca de 400 mil crianças. Estes números são resultado de pesquisa feita pelo Ministério da Saúde do Iraque em cooperação com o Instituto de Estudos Internacionais Aplicados da Noruega e o Programa de Desenvolvimento da ONU. O índice iraquiano se equipara agora ao do Burundi, na África, que está há mais de dez anos em guerra e é maior do que os índices de Uganda e do Haiti.
O tipo de desnutrição é pela diarréia crônica e por perigosas deficiências de proteínas. "Esses números indicam claramente a tendência de agravamento", disse Alexander Malyavin, especialista em saúde infantil da missão do Unicef no Iraque (O Estado de S. Paulo, 22 de novembro de 2004).
Alguns analistas atribuem o aumento da desnutrição à água suja e ao fornecimento irregular da eletricidade necessária para fervê-la. O agravante é que nas áreas mais pobres, onde a população depende de querosene para alimentar seus fornos, os preços altos e a economia debilitada pelo desemprego agravam os problemas de saúde.
"As coisas ficaram piores para mim depois da guerra", disse Kasim Said, um diarista que visitava seu filho doente Adbullah, de um ano, no principal hospital infantil de Bagdá. A criança estava com uma toalha de rosto para manter as moscas longe de sua cabeça e pesava apenas 5 kg. "No governo anterior, eu costumava trabalhar nos projetos do governo. Agora não há projetos" (idem).
O ataque às crianças não é apenas indireto, através do aumento da desnutrição, mas diretamente, como nos casos denunciados pela rede de televisão alemã SWR de torturas a crianças.
Em julho, a Unicef divulgou um relatório onde denunciava que pelo menos 107 menores de idade estavam aprisionados. Além disso, a NBC norte-americana afirmou ter vídeos onde apareciam soldados norte-americanos violentando garotos. Diversos jornais britânicos denunciaram que crianças eram torturadas nos interrogatórios.
Mesmo antes desta última guerra, o Iraque já sofria com o embargo imposto pelos EUA que vitimou cerca de 1 milhão de crianças em 10 anos.
Os números e as denúncias são a comprovação de que o papel dos EUA no Iraque está longe de ser o de afastar a ditadura de Saddam Hussein para melhorar a vida da população. Na realidade, a população sofre cada vez mais com a invasão do país. Nestes casos, os mais indefesos são os que mais sentem a opressão do imperialismo norte-americano.