| Iraque
EUA devasta Faluja e se prepara para o maior ataque desde o início da invasão
A “ofensiva total” liderada por George W. Bush e seu aliado no Iraque, Yiad Allawi, revela o aprofundamento da política imperialista de dominar à força a economia mundial
7 de novembro de 2004
Na madrugada de ontem, a cidade de Faluja, localizada a 50 quilômetros a oeste de Bagdá e o ponto central da resistência iraquiana, sofreu um intenso bombardeio de aviões norte-americanos, destruindo dezenas de casas e um depósito que armazenava equipamentos hospitalares.
Várias famílias estão deixando a cidade ameaçada pelo iminente ataque das tropas norte-americanas, onde cerca de 80% dos 300 mil habitantes já debandaram.
Somente o lado noroeste da cidade está livre para a passagem dessas pessoas, pois o restante está fortemente cercado por barreiras militares.
Vários panfletos jogados pelos soldados norte-americanos foram encontrados por civis alertando que a população deixasse Faluja imediatamente, além de ouvirem em alto-falantes o mesmo tipo de ordem.
No entanto, porta-vozes do Exército dos EUA alegaram que o anúncio não ordenava que a população deixasse a cidade, mas que não saíssem às ruas entre 18h00 e 6h00.
A ofensiva teve início logo no começo da noite de sábado, onde um ataque aéreo lançou mísseis contra supostos pontos de organização dos militantes iraquianos. A artilharia norte-americana esteve em ação durante todo o dia e a noite.
Os bombardeios iluminaram a cidade de Faluja e foram uns dos mais intensos desde o início da guerra, durando toda o noite. Pelo menos cinco grandes ataques aéreos foram realizados.
Nem mesmo o resgate teve condições de chegar até o local afetado, pois corriam um alto risco de também serem atingidos pelas bombas.
Entre os insurgentes, o argumento geral coloca apenas duas alternativas: ou derrotam os norte-americanos ou morrem por sua independência.
Na sexta-feira passada, o primeiro-ministro iraquiano, Yiad Allawi, em um encontro com líderes da União Européia, em Bruxelas, declarou que a situação no Iraque está completamente sem controle, afirmando que “a janela está se fechando para uma solução pacífica do conflito”.
Esta declaração demonstra o grau de dificuldade das tropas de coalizão em dominar a população em detrimento do interesse econômico mundial, principalmente pelo monopólio do petróleo.
Ao mesmo tempo, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressa uma grande preocupação com os efeitos de uma ofensiva nestas proporções para as eleições, correndo o risco de comprometer a influência da ONU no processo de dominação econômica e política do Iraque.
Segundo militantes de grupos de resistência iraquianos, os insurgentes estão bem mais organizados e melhor preparados, onde desde abril, última vez em que ocorreram confrontos entre soldados norte-americanos e sunitas, estes grupos tiveram uma grande reestruturação financeira e militar.
Comandantes do Exército afirmaram que a operação de dominação da cidade de Faluja deve durar apenas alguns dias, porém, fontes oficiais da tropa norte-americana disseram que, na verdade, não há como ter expectativa real de quanto tempo a ofensiva vai durar.
Muitos habitantes ainda permanecem em Faluja, mas como muitos não têm possibilidades financeiras de sair da cidade ou não tem outro local para ficar, acabam correndo um grande risco de terem suas casas atingidas pelas bombas dos aviões militares norte-americanos.
Desde o início da invasão dos EUA, que já dura 20 meses, nunca se tinha realizado uma operação tão grande como esta, onde mais de 25 mil soldados e policiais iraquianos cercaram Faluja e Ramadi, localizada a oeste do País.
Os soldados norte-americanos pretendem não repetir o fiasco de sua última ação, onde a Força Nacional iraquiana foi desintegrada e quatro funcionários norte-americanos foram mutilados após mais de 100 civis terem sido mortos pelo Exército dos EUA.
Desde este episódio, inúmeros levantes armados foram iniciados em todo o país contra as atrocidades dos soldados, o que preocupa muito o Exército a possibilidade de haver muito mais levantes populares após a “ofensiva total”, como disse Allawi.
De acordo com semelhantes ataques já realizados pela tropa norte-americana, milhares de policiais iraquianos, juntamente com os soldados norte-americanos, começaram os ataques já na entrada da cidade, abrindo caminho para que os policiais retomem o controle da cidade.
A reeleição de George W. Bush coloca o Iraque na mira de todos os ataques que forem precisos para conter a situação revolucionária entre a população.
Apesar da potência militar imperialista promover um verdadeiro genocídio contra os povos explorados, a população iraquiana demonstra uma forte resistência por sua independência política neste momento.
O Exército norte-americano está expulsando civis de suas casas na tentativa de controlar o país para as eleições programadas para janeiro do próximo ano, no entanto, a situação se encontra completamente fora de controle, revelando a crise política do imperialismo e de seu monopólio mundial.
O governo norte-americano, aproveitando-se do fato de que Bush se reelegeu presidente, está realizando o maior ataque à população iraquiana, gastando o pouco prestígio que ainda tem para atacar a população para controlar o petróleo iraquiano.
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