| "Lei marcial"
O massacre imperialista no Iraque
A reeleição de George W. Bush organizada pela burguesia norte-americana expressa o interesse imperialista em dominar Iraque de uma vez por todas, sendo investida uma grande ofensiva para oprimir e massacrar toda a população iraquiana
9 de novembro de 2004
O plano de “ofensiva total” adotado pelo primeiro-ministro iraquiano, Yiad Allawi e o reeleito presidente dos EUA, George W. Bush, em atacar as cidades de Faluja e Ramadi, visa estabilizar o Iraque para as eleições programadas para janeiro do próximo ano, matando civis em grandes proporções, acabando com os principais focos de resistência iraquianos à ocupação. Nos últimos dias mais de 60 pessoas já morreram.
O governo interino decretou no último domingo estado de emergência (Lei Marcial) no país por 60 dias, impondo à população o toque de recolher e dando o direito a autoridades locais de invadir residências e prender qualquer civil suspeito.
A medida visa controlar a população e exterminar os insurgentes que lutam contra a dominação imperialista no país, sendo iniciada a maior ofensiva norte-americana desde a invasão dos EUA, que já dura 20 meses.
Segundo oficiais do Exército dos EUA, os soldados já tomaram o controle de algumas partes das áreas cercadas, entrando pelo oeste de Faluja e já tomando o controle de um hospital e de duas pontes que passam pelo rio Eufrates.
Relatos de alguns médicos afirmam que os soldados norte-americanos não estão deixando que as vítimas sejam atendidas.
Um número indefinido entre mil e seis mil militantes de grupos de resistência iraquiana estão organizados e preparados para enfrentar os soldados da força de coalizão, no entanto, a área mais crítica para os soldados está localizada na parte leste da cidade, onde se concentra um grande número de combatentes.
A mega operação tem também como objetivo a captura do jordaniano Abu Musab al Zarqawi, supostamente responsável por organizar os seqüestros de vários estrangeiros, sendo oferecidos US$ 25 milhões para quem auxiliar na sua captura.
Todas as fronteiras do que dão acesso a Síria ou a Jordânia foram fechadas por barreiras militares.
Com a autorização de Allawi, na segunda-feira, mais de quatro mil fuzileiros entraram em Faluja, pelo lado noroeste.
No final da tarde, Faluja foi novamente bombardeada intensamente por aviões militares dos EUA, matando 12 civis iraquianos. Não há mais luz nem água em toda a cidade e quase 90% da população já deixou o lugar.
Em outra localidade, onde se realizava um funeral, duas horas depois, outro bombardeio matou duas pessoas.
O governo interino está exercendo poderes além do que foi discutido na Conferência Nacional, realizada em junho, para a legalização do poder indireto dos EUA sobre o Iraque e seu petróleo.
Após o anúncio da lei marcial, insurgentes invadiram uma delegacia e levaram 22 policiais iraquianos para uma estação de bombeamento de óleo e executaram todos a tiros. Devido ao quadro de miséria propiciado pelos EUA, muitos iraquianos preferem se aliar aos soldados norte-americanos e se alistam para a Força Nacional, onde o governo interino oferece um dos salários mais altos.
De Saddam para Bush: a mesma política nazista é executada pelo governo interino
“Contente-se em condenar ladrões de galinha e pare de meter o nariz em assuntos do governo". Este foi o aviso do governo interno de Yiad Allawi e de George W. Bush ao rebaixar o juiz Zouheir al Maliky, pouco antes do aviso da lei marcial.
Malik fez um levantamento em que denuncia inúmeras ilegalidades do atual governo iraquiano, onde vários ministérios estão envolvidos em corrupção e tortura de iraquianos presos.
Devido a estas investigações, o ex-juíz, antigo chefe dos juízes de instrução no tribunal penal iraquiano, teve sua função cortada pelo Conselho da Justiça, passando a ser agora apenas advogado.
Na época, sob as ordens do governo provisório, Malik era responsável por investigar todos os casos de tortura que envolvia a brigada criminal da polícia iraquiana.
Segundo suas investigações, cerca de 110 pessoas estão presas pelo serviço de informações e pela Força Nacional iraquiana ilegalmente.
Apesar das prisões só poderem ser feitas baseando-se no Código Penal, além do mandato de prisão, desde o começo do novo governo interino, seu primeiro-ministro, Yiad Allawi, realizou centenas de detenções a qualquer cidadão considerado suspeito.
O governo fantoche dos EUA está executando a mesma lei de Saddam Hussein, aprovada em 1971 e atualmente sem validade alguma, para prender qualquer pessoa e sob qualquer circunstância que lhe convir.
"Interroguei mais de uma quinzena de detentos. As condições são deploráveis, e os policiais se comportam como nazistas. Utilizam toda espécie de método bárbaro, como choques elétricos, para fazer com que os prisioneiros falem. Um homem ficou parcialmente paralítico.", disse Malik.
Antes que fosse rebaixado pelo governo, Malik já tinha convocado o ministro do interior, Falah Hassan Al-Naqib, e o chefe do serviço de informações para dar depoimento, onde 20 funcionários dos serviços de segurança foram culpados, alguns deles por tortura e conseguiu a libertação de 50 pessoas que estavam detidas.
O governo interino não é mais nada que a expressão da mesma política do ex-ditador Saddam Hussein, ou seja, oprimir a população iraquiana em detrimento de interesses econômicos e políticos.
No entanto, estas mesmas medidas nazistas estão agora a critério do imperialismo norte-americano, que está realizando uma operação militar devastadora para o País e promovendo um verdadeiro massacre.
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