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Passe-livre nos transportes
Estudantes protestam em Salvador pelo passe livre
13 de setembro de 2004
Mais de 500 estudantes paralisaram as quatro faixas da avenida Luís Viana Filho, que liga o centro ao aeroporto da capital, em protesto pelo passe-livre em todos os ônibus da cidade para os estudantes. A manifestação acontece depois de um ano das mobilizações que chegaram a levar às ruas mais de 20 mil estudantes, durante quase um mês, contra o aumento da passagem de R$ 1,30 para R$1,50, a chamada “Revolta do Buzu”, o que obrigou o prefeito Antonio Imbassahy (PFL) a recuar e cancelar o aumento.
O protesto que começou às 10 horas da última sexta-feira durou cerca de uma hora até a chegada da Polícia Militar e a prisão de um estudante.
Este foi o segundo protesto este mês na cidade pelo passe-livre e demonstra a necessidade urgente dos estudantes de se organizarem pelo fim da cobrança das taxas de transporte para favorecer as empresas de ônibus em detrimento de toda a juventude.
A prefeitura se nega a aprovar a medida. O secretário municipal dos Transportes, Ivan Barbosa, disse que não existe a menor possibilidade de a prefeitura atender à reivindicação dos estudantes. Segundo Barbosa, o custo para implantar o passe livre para estudantes é de R$ 170 milhões por ano. "Quem vai bancar?" (Folha de S. Paulo, 10 de setembro de 2004).
Em defesa das empresas e máfias dos ônibus as prefeituras, por um acordo geral com os capitalistas, defendem seus lucros exorbitantes com o transporte público e a manutenção e ampliação da miséria da população para sustentar os capitalistas em crise. O passe-livre representa uma redução dos lucros dos empresários dos transportes e não um gasto da prefeitura e do dinheiro público. É uma proposta inclusive já anteriormente adotada em cidades como o Rio de Janeiro. Para sustentar os empresários do transporte a prefeitura realiza a defesa dos lucros dos empresários. Os capitalistas devem pagar pela crise, não os estudantes.
A reivindicação é uma das bandeiras levantadas pela AJR, Aliança da Juventude Revolucionária, a juventude do PCO, que defende a organização dos estudantes em todos os colégios e universidades em torno de um programa que defenda, entre outras necessidades vitais dos estudantes, o passe-livre nos transportes e eventos culturais e promovam a organização dos estudantes independentes de partidos burgueses e da atual direção governista do movimento estudantil, para reconstruir o movimento estudantil pela base.
O passe-livre é uma reivindicação histórica da AJR e combatida desde o início pela ala direitista e centrista do movimento estudantil. Hoje a direção governista da UBES e da UNE, sob controle precário do PCdoB apoiada no PT e no PSTU, levantam de forma demagógica e discreta o passe-livre mas se utilizam de seus cargos para combater os estudantes e a oposição no movimento estudantil, como vimos no caso de Salvador, onde há um ano atrás a UJS, juventude do PCdoB, utilizou diversos instrumentos para dividir e reprimir os estudantes, chegando a divulgar em um jornal da família de Antônio Carlos Magalhães (PFL), o fim dos protestos contra o aumento da passagem e a realizar uma negociação entre quatro paredes com a prefeitura do PFL contra os estudantes, além de promover atos em separado por toda a cidade no momento em que a centralização do movimento era mais necessária.
O PCO em Salvador promoveu uma campanha junto aos estudantes durante os protestos com panfletos e cartazes pelo passe-livre, sendo o único partido a apoiar até o último momento a mobilização estudantil, chegando inclusive a ser intimado pela prefeitura do pupilo de ACM a pagar uma multa por cada cartaz pregado nos postes, por promover a desordem pública.
Nas eleições municipais na capital baiana o partido utiliza sua campanha pelo passe livre para todos os estudantes como forma de mobilizar a juventude em torno um programa independente da burguesia e seus partidos e em defesa da independência dos trabalhadores e da juventude e sua organização em um partido político revolucionário, como única alternativa para a defesa de seus interesses.
- Passe livre já nos transportes para estudantes e desempregados |