Distrito Federal
Polícia Militar reprime manifestação pelo Passe-Livre e detém estudantes

20 de novembro de 2005

Cerca de cem estudantes realizaram uma manifestação em Taguatinga (cidade do entorno de Brasília) que foi interrompida pela polícia militar do Distrito Federal que dissolveu violentamente o protesto pacífico.
A polícia primeiro ameaçou de prisão aos manifestantes para que desocupassem uma das faixas da avenida principal da cidade. Não sendo atendido o “pedido”, os policiais levaram no camburão dois manifestantes, sendo um deles, um militante da AJR e estudante da UnB e o outro, um menor de idade, estudante secundarista. Eles só foram liberados horas depois com a pressão dos manifestantes na porta da delegacia e a presença da imprensa para verificar o ocorrido e o motivo da detenção dos estudantes.

Reprimir a juventude: função da polícia

A atitude da polícia em relação aos manifestantes revela mais uma vez a função do braço armado do Estado burguês, que é defender com “unhas e dentes” os interesses da burguesia e seu governo lacaio contra os interesses da maioria esmagadora da população. Mesmo que para isso tenha que jogar para o alto a máscara das liberdades democráticas, impedindo manifestações e detendo pessoas sem motivo algum.
A manifestação havia sido organizada pelo “Comitê de Luta pelo Passe Livre” e o objetivo era mobilizar toda população que é prejudicada com a ditadura imposta pelo monopólio das empresas de ônibus do Distrito Federal, no caso, principalmente a juventude operária, e reivindicar o Passe Livre para estudantes e desempregados, o não aumento das passagens e a estatização do sistema de transporte.

O papel do PT

Outra tônica importante da manifestação foi a denúncia do projeto de lei do Passe Livre estudantil “de mentirinha” de autoria do deputado Paulo Tadeu do PT-DF apresentado na Câmara Legislativa do Distrito Federal como sendo o atendimento das reivindicações dos estudantes, mas que nada mais é do que um acordo com os empresários de ônibus para aumentarem seus lucros. No projeto, o “Passe Livre” serviria apenas para ir para o local de estudo e não para onde o estudante precisar se locomover, como um evento cultural etc. E ainda, os custos para implementação do projeto de lei não seriam tirados do enorme lucro das empresas de transporte, mas seriam arcados pelo governo para sustentar os lucros altíssimos de meia dúzia de empresários parasitas que monopolizam o transporte. Ou seja, a população que já paga impostos altíssimos para o governo investir na educação, saúde, cultura etc, pagaria indiretamente as passagens para esses empresários.
O projeto de lei apresentado pelo deputado do PT serve apenas para tentar conter a mobilização dos estudantes para “arrancarem” o Passe Livre dos empresários do transporte.
Tais medidas apesar de serem totalmente contrárias aos interesses da juventude e dos trabalhadores são defendidas pelo MPL (Movimento pelo Passe Livre), um movimento que se reivindica apartidário, mas toma partido a favor de acordos como esse com empresários.
É preciso organizar os estudantes em cada escola em todo o país para uma mobilização efetiva pelo Passe Livre nos transportes. Para isso, é preciso realizar uma ampla campanha esclarecendo e mobilizando a juventude estudantil em torno de suas reinvidicações.