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Skinheads da UNESP
Quem serão os próximos? Os negros ou judeus?
20 de outubro de 2005
Nesta terça-feira o Centro Acadêmico de Farmácia da Unesp-Araraquara chamou um debate para discutir a questão do desarmamento. Foi convidado um membro do PCO para defender a proposta contrária ao desarmamento da população e seria passado um filme, Tiros em Columbine, de Michael Moore no início. Horas antes do debate, os estudantes direitistas que já tinham agredido militantes da AJR nas eleições para o CAFF, Mauro, Rafael e outros, foram pressionar os membros do centro acadêmico de Farmácia dizendo que caso o debate se realizasse, eles o impediriam à força.
Quando o cro. Antônio Carlos, professor, membro da direção estadual do PCO de São Paulo e ex-candidato a prefeito da cidade de Piracicaba, que foi convidado para dar a palestra chegou na universidade, foi informado do ocorrido e foi conversar com os estudantes do centro acadêmico e os demais que estavam aguardando a palestra. Antônio Carlos repudiou a atitude desses estudantes, chamando todos a não aceitar tal repressão.
Neste momento, os estudantes agressores chegaram, começaram a berrar que estava proibida, pela direção da faculdade, a distribuição de panfletos do PCO e da AJR dentro da universidade, amassaram os panfletos, arrancaram à força os panfletos das mãos das pessoas que estavam distribuindo, deram um soco na câmera que a cra. Agatha, membro da AJR estava usando e partiram para cima do cro. Antônio Carlos. A loucura é tão grande que os agressores nem se preocuparam em saber quem é que estavam agredindo. Os companheiros Antônio Carlos e a sua esposa são professores na cidade da Piracicaba. A sua esposa é diretora de escola na cidade.
Esta é uma atitude fascista típica de pessoas que querem ganhar tudo no grito, pela força, assim como nos regimes fascistas e nazistas de Mussolini e Hitler. Vejam que absurdo, quando o cro. Antônio Carlos falou que distribuir panfletos era um direito nosso, o estudante agressor Mauro Salas, aos berros, falou que “Direito de liberdade de expressão não tem!”. Para estes verdadeiros skinheads universitários acabou o direito à livre expressão na sociedade porque eles não querem que a gente fale e distribua materiais. Olhem que interessante, só porque OS SKINHEADS UNIVERSITÁRIOS NÃO QUEREM, NÓS TEMOS QUE PARAR DE DISTRIBUIR PANFLETOS E NOS MANIFESTAR. E se amanhã ou depois eles decidirem que os negros não podem mais entrar na universidade? E se eles acharem que são os representantes da raça ariana e os judeus devem ser queimados na frente do restaurante universitário? Parece absurdo, mas os regimes fascistas são assim, só falam e se expressam aqueles e apenas aqueles que o fascismo permite.
O mais interessante é que os estudantes falavam em nome da diretoria da faculdade. Agora pergunta-se: eles são da diretoria da faculdade para falar em seu nome? Ou estão seguindo a política ditada pela diretoria da Faculdade?
Querem acabar com a liberdade política das pessoas. Querem acabar com a liberdade sindical e com a liberdade de imprensa, coisa que nem a ditadura militar conseguiu.
Regimes fascistas apareceram em várias partes do mundo como o Franquismo na Espanha, o Salazarismo em Portugal, o Peronismo na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil e todos eles foram derrotados. Estão querendo restabelecer, agora, o ridículo de um fascismo dentro de uma universidade pública imposto por alguns estudantes de direita e a direção da universidade.
Durante toda a confusão criada pelos agressores, em nenhum momento a guarda universitária fez absolutamente nada. Quando os companheiros da AJR foram agredidos, na semana passada, a primeira a aparecer foi a guarda que veio para expulsar não os agressores, mas os agredidos da universidade.
Os totalitários italianos negavam os ideais liberais-democráticos. Para eles, “a liberdade é um cadáver em putrefação, um dogma cediço da Revolução Francesa”. E só poderia existir “um partido fascista, uma imprensa fascista e uma educação fascista”. Não é a razão que resolve os grandes problemas nacionais, mas “a fé mística, o auto-sacrifício e o culto do heroísmo e da força”. Para eles, “o espírito fascista é vontade, não intelecto”. O que parece ser bem verídico no caso destes estudantes skinheads da Unesp-Araraquara cujo intelecto não é a principal virtude.
Uma coisa que confunde os estudantes é que vários dos agressores falam em nome da esquerda. Mas devemos lembrar que tanto os dirigentes fascistas italianos como os nazistas alemães sempre empregaram uma boa quantidade de demagogia socialista, a qual é necessária para a formação de um movimento de massas. Não é estranho que estes estudantes falem que são de esquerda. Com a crise política que assola o país, ninguém abertamente de direita conseguiria influenciar mais que alguns bocados de pessoas.
Chamamos todos os estudantes a repudiarem o fascismo dentro da universidade. Chamamos todos a repudiarem toda e qualquer manifestação de cerceamento da liberdade de expressão dentro do campus.
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