Pernambuco
Estudantes saem às ruas contra aumento da passagem de ônibus e pelo passe livre

21 de novembro de 2005

As manifestações pelo passe-livre estudantil nos transportes e contra o aumento das tarifas cobradas nas passagens pelas prefeituras, toma a maioria dos estados do país e a cada dia e amplia-se para mais cidades.
À medida que aumentam os ataques dos governos municipais do PT e dos partidos burgueses contra os trabalhadores e a população explorada, aumenta também a resistência da população contra estes ataques. É o caso das mobilizações que ocorreram na semana passada em Recife (PE) contra o aumento da tarifa de ônibus.
O Prefeito de Recife, João Paulo (PT), sancionou na semana passada o aumento da tarifa de ônibus aprovada pelo Conselho Municipal de Transportes da cidade em 10%, passando de R$ 1,50 para R$ 1,65. São 1,8 milhões de usuários que serão obrigados a desembolsar uma quantia absurda para manter os exorbitantes lucros dos empresários dos transportes coletivos.
O Conselho Municipal de Transportes é composto, em sua maioria, pelos representantes das empresas de transporte e pelos órgãos de transporte e trânsito ligados à prefeitura, onde apenas uma minoria é composta pelos “representantes” dos estudantes, como as entidades estudantis secundaristas e os DCEs das Universidades.
As entidades estudantis que têm vagas no conselho sempre votam a favor do aumento da tarifa, favorecendo os empresários e contra os estudantes.
Estas entidades têm um acordo com os tubarões do transporte coletivo, que em troca de seu apoio a estes ataques às condições de vida da população, recebem o direito de confeccionar a carteirinha estudantil, criando em torno deste esquema mafioso uma verdadeira burocracia totalmente alheia aos interesses dos estudantes.
Mesmo com toda a tentativa das entidades estudantis de conter anestesiar as mobilizações, milhares de estudantes secundaristas e universitários, indignados com mais este ataque da prefeitura do PT em Recife, realizaram várias manifestações, nas últimas quinta e sexta-feira, pelas principais avenidas da cidade, reivindicando o cancelamento do aumento da tarifa, e o passe livre para a juventude nos transportes coletivos.
Os estudantes se concentraram na região da Avenida Conde da Boa Vista, maior corredor de ônibus da capital, por onde transitam diariamente 2.400 veículos. Às 19 horas, a avenida estava bloqueada pelos manifestantes que espalharam sacos de lixo pela rua e atearam fogo, em sinal de protesto.
A coordenação da manifestação garantiu que, se os jovens não forem atendidos, farão na quarta-feira mais um “grande ato” nas ruas.

Prefeito do PT manda polícia bater nos estudantes

O Batalhão de Choque e a cavalaria da PM tentaram conter os estudantes com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e spray de pimenta. Até o início da noite da última sexta-feira, mais de 39 manifestantes tinham sido presos e levados para a delegacia de Santo Amaro, no Centro de Recife.
‘‘A partir de agora não estamos tratando com estudantes, mas com marginais’’, afirmou ontem o coronel Luiz Meira, do Batalhão de Choque. ‘‘É preciso dar um basta à baderna’’. (Diário do Nordeste, 19/11/05)
Esta reação da prefeitura do PT mostra um desespero por se tratar de um movimento contra os capitalistas do transporte coletivo, aos quais a prefeitura do PT tem acordos, inclusive eleitorais, que fazem com que automaticamente o PT assine embaixo de mais um ataque às condições de vida da população recifense. O movimento pelo passe livre nos transportes coletivos para a juventude e desempregados tende a se ampliar entre os trabalhadores e pressionar diretamente as máfias dos transportes que lucram com um dos maiores bolos explorados do dinheiro público.
Neste sentido, é necessário construir comitês de luta pelo passe livre e contra o aumento da tarifa em todas as escolas, faculdades e bairros operários, para poder organizar a luta pelo passe livre em toda a região metropolitana de Recife, para que não só os estudantes, mas os trabalhadores possam garantir o seu direito de ir e vir, que é ameaçado pelos tubarões do transporte, com o apoio da prefeitura antipovo do PT.