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A máfia capitalista dos transportes
Em Recife prefeitura do PT utilizou mesmo mecanismo das principais capitais para aumentar passagem
22 de novembro de 2005
Durante dois dias seguidos as principais avenidas da capital de Pernambuco foram tomadas por estudantes secundaristas e universitários que protestaram contra o aumento de 10% nos transportes, do ônibus e do metrô, anunciado no dia 16 de novembro pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e pela EMTU, secretaria de transportes da cidade. A passagem de metrô foi reajustada de R$ 1,10 para R$ 1,20 e o preço das passagens de ônibus de R$ 1,50 para R$1,65. O aumento foi autorizado pelo prefeito João Paulo (PT), que procura manter a fachada de estatal da EMTU, encobrindo as 17 empresas de transporte privados que, juntos a alguns outros grupos econômicos, mandam e desmandam na cidade. O mecanismo utilizado é o mesmo das principais capitais.
O aumento é anunciado após cerca de um ano do último reajuste que havia sido de 15%. A secretaria petista justificou o aumento em defesa das empresas privadas “As pessoas precisam compreender que todo ano há aumento de passagem, enquanto não houver políticas públicas para o setor” explicou a secretária de Desenvolvimento Urbano, Terezinha Nunes (O Globo, 19/11/2005).
Os aumentos sucessivos no entanto, fazem parte de uma ofensiva dos capitalistas do transporte na cidade que há mais de uma década dominam o direito dos trabalhadores e estudantes de ir e vir em Recife. Há dois anos, o mandato petista comanda os piores ataques contra a imensa maioria da população que utiliza ônibus, aperfeiçoando os mecanismos de exploração das empresas. Em 2003 a união do Estado e municípios da RMR para dar início a uma reestruturação do sistema de transporte metropolitano, e em nome da “regulamentação do Sistema de Transporte Complementar” perseguiu os trabalhadores de transportes alternativos de kombis e vans. Com a perseguição a milhares de trabalhadores que tinham como único sustento o transporte de lotação, mais de 400 ônibus das empresas tomaram o lugar da frota perseguida. Seguindo o processo que se iniciou em São Paulo em 2004 foi criado um bilhete eletrônico, o Passe Fácil que obrigou as vans a usarem máquinas eletrônicas e centralizou toda a renda nas mãos da prefeitura. Este foi o caminho para estabelecer o total monopólio dos tubarões do transporte pago e para intensificar, portanto, o aumento do preço.
A prefeitura do PT que apresenta para os estudantes como única resposta a repressão policial, prendendo cerca de 40 manifestantes nos últimos dias, representa o Estado em defesa dos maiores parasitas urbanos.
O mecanismo criado nas principais capitais, de bilhetes eletrônicos, parte do interesse de aumentar indiscriminadamente as passagens.
A luta passa pela substituição das direções estudantis
O protesto em Recife demonstra que o acirramento das contradições do transporte, entre a ditadura do aumento imposta pela máfia capitalista de empresas e a expropriação crescente da juventude abre espaço para uma grande mobilização estudantil rumo a efetivas conquistas dos estudantes. E isto acontece pois os estudantes estão passando por cima da burocracia estudantil ligada ao PT e ao PCdoB, cupinchas da prefeitura de João Paulo, e do governo Lula.
O embate direto entre estudantes e as empresas capitalistas do transporte em Recife e em inúmeras cidades do país é resultado da movimentação política, do ascenso estudantil. Como conseqüência das crescentes mobilizações, está a crise dos setores corrompidos e governistas na direção do movimento estudantil. Os estudantes tendem a substituir esta camada apodrecida que há mais de uma década os impede de travar uma luta política em defesa dos seus interesses como a luta pelo passe livre nos transportes para toda a juventude.
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