DECLARAÇÃO DE MULHERES

Araraquara
Não à perseguição política às companheiras Aline e Cíntia

Declaração do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo do Partido da Causa Operária

23
de novembro de 2005

O Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo do Partido da Causa Operária vem a público denunciar os graves acontecimentos que vem ocorrendo no movimento estudantil da Unesp-Araraquara envolvendo um grupo de estudantes ligados à burocracia universitária.
As estudantes Aline Toledo e Cíntia Bossolani do curso de Ciências Sociais, militantes da Aliança da Juventude Revolucionária e do Partido da Causa Operária vêm sendo vítimas de uma perseguição política desde as eleições para delegados do curso de Ciências Sociais para o CEUF 2005 ocorridas durante o mês de agosto. Nesse período, a companheira Aline foi ameaçada pelo estudante Mauro, que repetiu, várias vezes, a frase: “Quando você ficar sozinha aqui na universidade, você vai ver!”, e também, no último dia, da eleição, após o término da assembléia, estudantes direitistas, na maioria “homens”, entre eles, André e Maurício (Ceará), primeiro invadiram o ônibus, depois impediram as companheiras de descerem do táxi, que às levavam até o apartamento da estudante Cíntia, gritando: “Se vocês descerem, sabem muito bem o que vai acontecer”.
No dia seguinte, a companheira Cristine Braga, militante do Partido da Causa Operária, foi agredida pelo estudante Douglas (Mosquito) e obrigada a se proteger no laboratório computacional (Pólo).
De lá pra cá, em todos os episódios envolvendo o movimento estudantil na universidade, as duas estudantes são submetidas a todo o tipo de intimidação do tipo fascista com o objetivo de impedi-las de realizar a militância política revolucionária. Quando as companheiras Aline e Cíntia começaram a montar uma chapa para concorrer às eleições do CAFF, foram ameaçadas, novamente, pelo estudante Mauro, que gritou, em frente à biblioteca, para quem quisesse ouvir: “Essas folgadas devem levar paulada por quererem atuar no movimento estudantil”.
No dia dezoito de outubro, no debate sobre o referendo do desarmamento, promovido pelo CACIF, centro acadêmico do curso de farmácia, estudantes direitistas, entre eles Mauro, Rafael e Pedro, além de impedirem o professor Antônio Carlos, membro da direção estadual do Partido da Causa Operária, de participar do debate, partiram para cima da companheira Agatha, outra militante do PCO que estava presente para filmar o debate sendo sua câmera quebrada e seu braço todo arranhado.
O último acontecimento foi a tentativa é privar as alunas e militantes da AJR do direito democrático de participar da eleição para o centro acadêmico do curso de Ciências Sociais. No debate do dia nove de novembro, o aluno do segundo ano noturno, Marcelo, para pressionar o membro da chapa, Gabriel, a retirar seu nome, num ato de pura histeria e agressividade, levantou e gritou: “Seu babaca, o que você está fazendo apoiando essas duas meninas aí?”.
Somente estes fatos bastariam para condenar totalmente a atuação desse grupo de estudantes. A gravidade dos acontecimentos, no entanto, toma proporção muito maior porque envolve um grupo de estudantes ‘homens’ atacando duas mulheres e sem qualquer manifestação da diretoria da universidade.
Ao mesmo tempo em que ocorrem as agressões, as companheiras Aline e Cíntia foram chamadas pela Faculdade para depor numa comissão de sindicâncias acusadas de terem roubado uma urna e de serem responsáveis pelo fato de um estudante da UFPB ter dormido na universidade, inclusive com ameaça de expulsão enquanto as pessoas que agrediram as companheiras não só não são citadas como sobre elas não pesa qualquer acusão, apesar dos inúmeros boletins de ocorrências feitos pelas companheiras Aline, Cíntia e Cristine. Dormir na universidade não é crtime mas a agressão contra as companheiras é crime previsto no código penal e nada foi feito contra os seus agressores.
Os agressores falam em nome da diretoria da universidade e em nenhum momento a diretoria se posicionou sobre o problema e nem tomou nenhuma atitude para parar as agressões.
Consideraremos, desde já, a diretoria da Faculdade de Ciências e Letras de Arararquara, o reitor da Unesp e o governador do Estado como responsáveis por qualquer injúria física que seja cometidas contra as companheiras, uma vez que se calaram com respeito às agressões e estimulam a política de violência contra os que se opõem à sua política.
Estas ações, devem ser denunciadas, como uma brutal agressão contra a mulher e sua luta contra a opressão feminina na sociedade burguesa.
Condenamos a ação desse grupo de estudantes direitistas, verdadeiros defensores dos interesses mais reacionários da burocracia universitária e do governo do Estado, por esta trazer para o interior do movimento estudantil métodos de ação política característicos da burguesia, ou seja, a utilização da repressão e da intimidação física e moral como meio de fazer valer as suas impopulares opiniões.
A AJR é uma organização política nacional que atua no movimento estudantil há décadas travando uma luta séria e conseqüente pelo ensino público gratuito e de qualidade, contra o ensino pago, denunciando e combatendo a política de colaboração das direções do movimento estudantil com os governos capitalistas responsáveis pela política de destruição da educação no país.
Vale ressaltar, ainda, que a AJR realizou uma ampla campanha na universidade, durante a preparação e a realização do CEUF-2005 contra a política do DCE dirigido pela UJS, o mesmo grupo político que paralisa o movimento estudantil de conjunto na direção da UNE e da UEE e que imobiliza o movimento estudantil na UNESP, não organizando nenhuma campanha contra os diversos ataques que a universidade vem sofrendo do governo de Alckimin e a reitoria.
Tentando justificar o injustificável, o grupo de ‘homens’ covardes tiveram o cinismo de dizer que reagiu às provocações das duas estudantes e da AJR. Trata-se da tradicional calhordice patronal, muito comum na Justiça e na política burguesa. Quem já não ouviu a famosa frase "foi ela quem provocou", sobre as mulheres espancadas, assassinadas ou nos processos envolvendo estupro? Dizem que são de esquerda, mas imitam em todas as áreas, os métodos da burguesia para fazer valer os seus interesses.
Consideramos a agressão às militantes da Aliança da Juventude Revolucionária e do PCO como um ataque frontal contra todas as mulheres, na medida em que a agressão física é a maior fonte de opressão e desmoralização contra elas na sociedade capitalista. No entanto, é preciso assinalar que tal conduta de violência contra mulheres militantes é um ataque frontal contra a participação política da mulher. A violência coloca de forma inequívoca um limite para a ação independente das mulheres, uma vez que neste terreno a metade masculina da sociedade poderia submetê-las sem contemplação. Quem duvida da superioridade física de um homem em relação a uma mulher? A defesa da integridade física das mulheres e, portanto, a proibição absoluta da repressão contra elas, é uma condição indispensável para a sua livre participação política e um dever de todos os revolucionários. É impossível à mulher a liberdade individual e, portanto, política, se pesa sobre ela a ameaça da violência masculina. O Núcleo de Mulheres do PCO conclama todas as mulheres, independentemente do partido ao qual pertençam, a repudiar veementemente a agressão do gruo de estudantes "homens" contra suas militantes e, por essa via, condenar toda e qualquer violência contra a mulher, toda e qualquer repressão da mulher militante e ativista. Acima de tudo, se insurgir contra isso significa defender o direito das mulheres participarem da vida política do país sem o temor de terem seu espaço tolhido pela força bruta.
Exigimos o fim imediato das agressões e das perseguições às companheiras.

- Não à violência contra as mulheres! Por sua liberdade individual e política!
- Por sua livre participação nos sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos!
- Pela igualdade de direitos entre homens e mulheres!
- Em defesa da militância revolucionária da mulher!