Rio de Janeiro
Estudantes protestam contra veto do passe-livre intermunicipal

26 de fevereiro de 2005

Estudantes protestaram em frente à Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro), nesta no dia 24 de fevereiro contra o veto da governadora do Estado Rosinha Mateus ao passe-livre nos ônibus intermunicipais. Rosinha pretende estabelecer um máximo de 60 passagens por mês aos estudantes de escolas federais e estaduais, e retirar o passe livre dos estudantes de escolas municipais, que somam mais de 130 mil alunos. A governadora em defesa de um corte nos gatos públicos, sendo que atualmente o Estado paga as passagens às empresas de ônibus privadas, pretende que os estudantes arquem com a crise. Com o veto será retirada a possibilidade do estudante de utilizar o transporte de graça para ir, para ira a algum evento cultural, para ir trabalhar e para a grande parte dos estudantes que utilizam os transportes mais de uma vez por dia para chegar à própria escola.
A manifestação iniciou-se pela manhã e durou cerca de quatro horas. Estiveram presentes cerca de cem estudantes, incluindo portadores deficiências, que serão obrigados a pagar o transporte para fazer tratamento.
Os estudantes mais atingidos são os da baixada Fluminense, como por exemplo os que moram em Belford Roxo, que tem apenas dez linhas de ônibus, que não cobrem toda a cidade. “A maioria dos trajetos é feita por ônibus intermunicipal. Com isso, um estudante que mora no interior de Belford Roxo e estuda no Centro de Nova Iguaçu, por exemplo, tem que pegar diariamente quatro ônibus. Com a limitação de passagens, ele não vai ter condições de estudar” disse o vice-presidente da Associação Regional de Estudantes da Baixada.(O Globo, 24 de fevereiro de 2005).

Resposta da governadora: repressão da PM aos estudantes

Os estudantes levavam faixas e cartazes pedindo a queda da lei 4.510, que iria ser votada no dia. No entanto, a manifestação pacífica dos estudantes foi reprimida pelo Batalhão de Choque da PM, que impediu os estudantes de interromper o tráfego na Rua Primeiro de Março e que utilizou gás de pimenta cacetetes e prendeu três estudantes, levando-os para o 5º DP. A votação terminou adiada e o governo do Estado foi irredutível.
A resposta que os estudantes devem dar ao governo das empresas de ônibus é a defesa do passe livre nos transportes a todos os estudantes.

A resposta da burocracia estudantil

Enquanto o governo do Rio pretende vetar o passe livre, uma conquista histórica dos estudantes, a direção da UBES apóia a manobra, estabelecendo a velha política direitista de diálogo com os parlamentares, sem chamar os estudantes a se organizarem. “Tentamos o diálogo com os deputados, mas está difícil convencê-los de nossas necessidades. Estamos apelando para a sensibilidade dos parlamentares”, disse o vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (Ubes), Pedro Gerolimich (idem).
A luta por um movimento estudantil combativo necessita da luta contra a burocracia governista profissional do PT e do PCdoB, totalmente afastada de qualquer interesse ligado às necessidades básicas dos estudantes.
Somente a organização dos estudantes independentemente da burocracia estudantil e do parlamento burguês, defensores do monopólio dos empresários do transporte, pode obter avanços na luta pelo passe livre. O movimento pelo passe livre deve se apoiar nas bases estudantis, ou seja, nos estudantes em cada escola, através da denúncia de mais este ataque do governo.