Agressão nas Eleições no CAFF - Unesp
Uma conduta inadmissível
Que deve ser amplamente repudiada

28 de agosto de 2005

Nesta quinta-feira, no encerramento da eleição para os delegados do curso de Ciências Sociais para o Congresso da Unesp/Fatec de 2005, um grupo de estudantes do CAFF (Gustavo, Ricardo, Marília e Fernando), militantes e simpatizantes do PSTU (Júlia, Camila, Bruno e Rafael) e alguns outros estudantes (André, “Mosquito”, Mauro, Ceará e outros) agrediram verbal e fisicamente as alunas Cíntia e Aline e outros militantes da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).
Os agressores cercaram o ônibus onde estavam as pessoas, impedindo que ele prosseguisse, invadiram o ônibus e partiram para cima dos companheiros. Foi necessário que a polícia fosse chamada para que algo mais grave não ocorresse.
Como se não bastasse isto, um grupo de cerca de 15 estudantes foi até o local onde mora a companheira Aline fazer baderna e gritaria na porta da Moradia Estudantil. Foram, também, até a casa da companheira Cintia e impediram-na de entrar no prédio. Os estudantes André e Júlia subiram no táxi onde estava as companheiras e começaram a dar socos no capô dizendo repetidas vezes: “Se elas descerem já sabem o que vai acontecer!”.
O que estas pessoas estão tentando fazer é impor a defesa canina dos interesses da reitoria e do governo mensalão pela força. Ao invés de participar do processo democrático da eleição de delegados para o Congresso, ou seja, inscrevendo uma chapa, fazendo campanha pelas suas idéias e participando legalmente, estas pessoas preferiram partir para a agressão física como forma de fazer valer o seu interesse.
Se estas pessoas não concordavam com a maneira como estava sendo encaminhado o processo, deveriam abrir um processo de discussão amplo e aberto na universidade e entrar com um recurso no próprio Congresso alegando o porquê da sua posição. Se elas não concordavam com a chapa, deveriam ter inscrito a sua. Entretanto não foi isso que aconteceu, mas sim a tentativa de ganhar no grito, impor pela força sua posição.
Esta foi uma atitude “sem pé nem cabeça” pois uma sociedade nunca poderia funcionar desta maneira. Imagine se quando uma pessoa não paga uma prestação de uma televisão que comprou, o dono da loja vai na sua casa, invade a sua residência, bate na sua família e arranca a sua televisão. Não, quando este tipo de coisa acontece, o meio para se resolver o problema é a Justiça. Você entra com um processo alegando as suas razões, as duas partes serão ouvidas e o juiz dará o seu veredicto. Este tipo de atitude é como a de um agiota que, para conseguir o pagamento de um empréstimo, espanca a pessoa que está devendo.
Este é uma típica atitude fascista, querer fazer valer a sua posição pela força. Não tem discussão democrática, não respeita nenhuma instituição democrática, o que vale é a sua opinião e quem tem mais força.

O que está em jogo

O mais esquisito de todo este processo que vem acontecendo na Unesp Araraquara é que nunca houve carnaval tão grande em uma eleição de uma chapa que nunca poderia perder, pois é a única inscrita no processo.
O que acontece é que o que está em jogo nesta eleição é algo muito maior.
Quem dirige atualmente o DCE da Unesp é a UJS/PCdoB que é uma diretoria totalmente falida, que defende a reitoria bem como o governo pois está na direção da UNE e das UEE´s e apóia abertamente todas as medidas do governo mensalão contra a educação como, por exemplo, a reforma universitária. Este partido é o mesmo que está nos escândalos de corrupção que vemos na TV todos os dias, os escândalos do PT-mensalão. O PCdoB no movimento estudantil é o verdadeiro representante dos empresários das escolas pagas e criou uma burocracia que se formou com o dinheiro das carteirinhas estudantis.
A diretoria da Unesp vê com apreensão o fato dos pelegos do PCdoB estarem perdendo prestígio e um setor da Oposição, a Aliança da Juventude Revolucionária, estar ganhando e crescendo sistematicamente na universidade. Trata-se de um trabalho sério, de oposição e uma real alternativa para o movimento estudantil da universidade.
O que os estudantes precisam entender é que muitas destas pessoas têm estreitas ligações com a burocracia da universidade, são bolsistas de professores reacionários da burocracia universitária (como a Profa. Marcia Teixeira, do PET, do Departamento de Política e do Conselho de Curso de Ciências Sociais e o prof. Milton Lauherta, Coordenador da Pós-graduação e membro do Conselho Universitário) e seguem a mesma política dos professores, impulsionados por eles. Estes professores têm muito interesse em que a AJR não cresça, pois a AJR é um empecilho ao progresso de sua política de privatização e sucateamento da universidade.
Os estudantes devem defender um movimento estudantil de verdade, democrático, onde as discussões sejam feitas democraticamente, com a possibilidade a participação de todos, sem esta história de “ganhar no grito”.
Quando um estudante não concordar com alguma decisão ou atitude do CA ou de outro estudante ou grupo, deve chamar uma assembléia, com tempo de antecedência (pelo estatuto do CAFF, por exemplo, a assembléia extraordinária deve ser chamada com cinco dias de antecedência), amplamente divulgada para que todos possam participar e defender a sua posição. Tem que ir pelas vias institucionais e não “no tranco”.
Chamamos os estudantes das Ciências Sócias e de toda a universidade a repudiarem este tipo de atitude que é inadmissível no movimento estudantil. Só através da mais ampla e aberta discussão poderemos construir um movimento dos estudantes que realmente defenda os seus interesses.