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Unesp - Araraquara
“Cala essa boca e abre a bolsa, senão vai ser pior”
28 de novembro de 2005
Enquanto estudantes direitistas agridem as militantes da AJR, a Congregação da universidade quer expulsar as agredidas. De que lado está a Universidade?
Nesta sexta-feira dia 25 de novembro a Congregação ordinária da FCL/Araraquara incluiu na pauta, a pedido do vice-diretor, Paulo Rennes, a questão das agressões sofridas pelos militantes da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR - juventude do PCO) colocada por ele como assunto de extrema urgência já que se tratava da “invasão da FCL pelos integrantes do PCO que causam tumulto e fazem difamações de docentes e alunos”.
Paulo Rennes afirmou que a faculdade deve processar o PCO, solicitando indenização. Acusou os militantes do PCO de serem “baderneiros profissionais” e de provocarem “os nossos alunos”. Enquanto todo mundo sabe que todas as agressões foram contra os militantes do PCO e foram feitas e iniciadas pelos alunos direitistas da universidade. O vice-diretor e o chefe da segurança do campus da FCL, “Batista”, presenciaram as inúmeras agressões.
Nova agressão na eleição do CAFF
Na quinta-feira (24/11), último dia da eleição para o CAFF (Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais), três militantes do PCO foram agredidos e expulsos do campus e as estudantes e membros da AJR, Aline e Cíntia, foram moralmente ofendidas e agredidas pelo estudante Marcelo e também submetidas a uma ação verdadeiramente policialesca dos alunos Pedro, Douglas, Laércio, Camila, Fernanda, Fabiana e Juliana que gritavam “cala essa boca e abre a bolsa, senão vai ser pior” obrigando-as a abrir suas bolsas e revistando-as.
O que eles queriam pegar nas bolsas? Queriam tomar para si as gravações que foram feitas das agressões destes estudantes contra o militante da AJR, João André Silva que iria filmar a apuração das eleições do CAFF. Ou seja, queriam roubar a prova de que eles agrediram os militantes da AJR com um grupo de mais de 30 estudantes.
Estas agressões não foram apuradas, mas queriam decidir na reunião da Congregação pela expulsão das militantes do PCO que haviam sido agredidas.
O professor Milton Lauherta afirmou que não quer estar envolvido com esta “escória” e que não considera o PCO, um partido legalizado, uma organização partidária (!), mas sim “uns bandidos”. Disse, litralmente: “peço, no limite exijo, a solidariedade da Congregação com relação a mim e às calúnias sofridas e que se decida aqui uma atitude com relação a essas meninas” que, segundo ele estão “colocando o nome da faculdade na lama”. O representante discente, Douglas Felício, na mesa da congregação e diante de todos os conselheiros, ameaçou os militantes do PCO de morte. O professor José também disse que as alunas são “duas serpentes que acabaram de sair do ovo e devem ser mortas no ninho”, ou seja, assim como Milton Lauherta e Maria Ribeiro do Valle, defendeu a expulsão das alunas que são de uma organização que luta contra a burocracia universitária. O professor José também disse que as alunas “deveriam agir com inteligência” e que estão com a corda no pescoço e que devem se calar.
A estudante Aline pediu para dar um esclarecimento, que tinha sido concedido pelo presidente da mesa, o diretor Cláudio Gomide, e o prof José, histericamente ordenou: “Fique quieta!”, “Você só fala bobagem!” e só deixou que a companheira falasse por interferência de outras pessoas.
A professora Christina W. Andrews, que estava acompanhando a reunião da Congregação, foi para cima da estudante Aline com o objetivo de humilhá-la na frente de todos dizendo também agressivamente, assim como os outros professores e alunos, que estavam do lado do Lauherta e que defendiam a sua expulsão.
Entretanto, como a expulsão sumária, sem ampla defesa, não seria aceita, os conselheiros, com o estatuto da Unesp feito na época da ditadura militar, tentaram aprovar uma punição, que seria a suspensão das militantes da AJR.
Diante disso, o diretor da FCL, pressionado pela campanha nacional que o Partido da Causa Operária está realizando contra a perseguição política que as alunas estão sofrendo, recuou de tomar qualquer decisão e prorrogou para terça-feira, data da próxima reunião da Congregação, a discussão sobre a punição da companheira Aline e Cíntia.
Novas ameaças: estudantes fascistas querem calar a oposição
No final da reunião da Congregação, a estudante Camila Massaro (uma das agressoras), indignada com o fato de que não havia sido aprovada a expulsão das companheiras, falou para o diretor que, como eles eram omissos, não aceitariam reclamação de ninguém quando ela e os seus amigos agredissem os militantes da AJR.
É importante ressaltar que todos estes acontecimentos demonstram de maneira clara que a congregação, órgão de deliberação controlado pela burocracia universitária, foi mais um circo armado para tentar calar a AJR, uma organização política de esquerda, com um programa de luta definido, em defesa da universidade pública e dos interesses da maioria dos estudantes, socialista e pela ditadura do proletariado.
Sete estudantes foram expulsos da Unesp de Franca. Querem fazer o mesmo aqui em Araraquara. Não podemos aceitar esta verdadeira ditadura fascista em que os militantes do movimento estudantil são perseguidos por se opor à destruição da universidade pública e defender um programa de luta para a juventude e os estudantes.
Todas as agressões sofridas pelos militantes da AJR e do PCO dentro da universidade são orquestradas por professores contando com a conivência da diretoria da FCL que viu as agressões e até agora não fez absolutamente nada a não ser chamar a polícia para retirar do campus as pessoas agredidas.
Chamamos todos os estudantes a repudiar amplamente estas atitudes fascistas que visam impedir a livre manifestação dos estudantes dentro e fora da universidade. Esta é uma tentativa de cassar o movimento estudantil.
A direção da universidade quer definir o que pode e o que não pode ser feito no movimento dos estudantes. É um absurdo, isto só quem pode dizer são só os próprios estudantes. A seguir da maneira como eles querem, aqui na Unesp-Araraquara só vai ter cupincha da direção da universidade nos Centros Acadêmicos. Querem acabar com o direito dos estudantes de se manifestar politicamente através da imprensa escrita. Para estes estudantes direitistas e a direção da Faculdade, se alguém denunciar qualquer coisa que acontece dentro da universidade, ou discordar da sua política tem que ser punido com a expulsão. Querem impor a lei da mordaça na Unesp.
Não vamos nos submeter a esta ditadura!
• Não à expulsão das companheiras Aline e Cíntia da Unesp
• Não à perseguição política aos estudantes dentro da universidade
• Pela liberdade de expressão e de organização política do movimento estudantil
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