Passe-livre estudantil em Guaíba e São Carlos
Movimento amplia-se para mais duas cidades

31 de agosto de 2005

As manifestações pelo passe-livre estudantil nos transportes e contra o aumento das tarifas cobradas nas passagens pelas prefeituras, toma a maioria dos estados do país e a cada dia e amplia-se para mais cidades. Na semana passada, protestos aconteceram em pelo menos mais cinco cidades do país. As manifestações tomaram as ruas em Campinas, Belo Horizonte e sua cidade vizinha Contagem, e em mais duas cidades: Guaíba, próxima da capital gaúcha Porto Alegre e em São Carlos, no interior de São Paulo. Em Guaíba, no Rio Grande do Sul, houve manifestação de moradores, em sua maioria operários do bairro Colina, da Associação de Moradores, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), apoiados por moradores de outras cidades da região metropolitana porto alegrense. O protesto se concentrou no trevo da rodovia de acesso à cidade e foi escoltado pela polícia, que operou sem identificação para tentar ameaçar os manifestantes.
As reivindicações são o meio passe estudantil que ainda não existe na região, uma tarifa operária abaixo do preço estabelecido e o passe-livre para desempregados. Os moradores, impedidos de ocuparem a prefeitura receberam a promessa de reunião na Assembléia Legislativa com a Comissão de Serviços Públicos ainda sem data marcada. Esta faz parte da mobilização que moradores enfrentam há anos na cidade os mandatos das prefeituras representantes dos empresários dos transportes. A cidade já tem uma tradicional luta contra o aumento de passagens, com a organização de cooperativas de transporte que conseguiram se estabelecer na região por trabalho de membros dos próprios moradores que são costumeiramente perseguidos.
Também em São Carlos, no dia 19 de agosto, estudantes protestaram na principal via da cidade, a Avenida São Carlos. Eles reivindicaram com faixas, apitos e latas o passe-livre para estudantes e desempregados, a redução das passagens de R$ 1,70 nos ônibus da cidade. Cerca de 50 jovens participaram de ato pacífico, mas escoltados pela polícia, então sofreram uma tentativa de dispersão ao serem ameaçados com bombas de gás e sprays de pimenta pelos policiais, que ainda fizeram um boletim de ocorrência contra os líderes do protesto. Os estudantes responderam pulando a catraca de um ônibus, o chamado “pula catraca”. Eles reivindicaram o passe-livre para os estudantes e desempregados. A reação das prefeituras mostra um desespero contra o que é um incomodo movimento contra os capitalistas e que tende a se ampliar entre os trabalhadores e pressionar diretamente as máfias dos transportes que lucram com um dos maiores bolos explorados do dinheiro público.