Abaixo a máfia dos capitalistas
Passe livre já nos transportes para estudantes e desempregados


8 de novembro de 2005

Os estudantes e trabalhadores em seu cotidiano são obrigados a sofrer com níveis de exploração e restrição de direitos sem precedentes, entre os quais estão a própria restrição da liberdade de trabalhar e estudar com índices de desemprego recorde e o sucateamento das escolas e universidades públicas.
A imensa maioria da população, que utiliza os transportes públicos, e que geralmente mora afastada dos centros encontra a enorme barreira da precariedade e do tacão das máfias do transporte que lucram às custas da população trabalhadora.

Um ataque contra a população trabalhadora e os estudantes

Em defesa de seu monopólio, os capitalistas do transporte utilizaram todas as armas contra o transporte popular alternativo de custo mais reduzido. Para aumentar os seus lucros exorbitantes atacam a população ameaçando cada vez mais o direito de transferência de linhas de ônibus para trens e metrô, ou com a criação de bilhetes eletrônicos recarregáveis que diminuem cada vez mais o tempo de uso.
Como exemplo, temos a criação na cidade de São Paulo do bilhete único, pela prefeitura do PT, cujo resultado foi o aumento imediato de arrecadação nos ônibus em 70%, que também foi uma conseqüência direta da perseguição dos perueiros que tiveram de se enquadrar no novo funcionamento. O governo do PSDB aprofundou a medida diminuindo o tempo do bilhete e reprimindo as lotações.
O transporte está no topo da lista de gastos e só fica atrás de moradia e alimentação. Já ultrapassou a inflação deste ano (5,34%), em mais que o dobro (11,62 %) de aumento. A população é obrigada a pagar atualmente cerca de 20% de sua renda apenas nos transportes públicos, o que pode chegar a dois salários mínimos. Este percentual quase dobrou nos últimos dez anos.
As prefeituras, controladas pelos partidos patronais, financiados nas eleições justamente pelos seus sócios parasitas da população, apenas aprofundam a política de privatização dos transportes, mais um dos serviços públicos que foram retirados da população e tomados pelos capitalistas. Apoiadas no monopólio de empresas como estas, as prefeituras, apenas esperam o melhor momento para aprovar o aumento contra a vontade de toda a população

A juventude na linha de frente de ataque dos capitalistas

A juventude, camada destituída de renda própria na sua maioria, está na linha de frente desta contradição dos transportes urbanos e, por isso, é obrigada, além de sofrer com os ataques dos empresários do ensino, e com o absoluto descaso com o ensino público, a gastar todas as suas energias ao trabalhar e estudar, fazendo jornada dupla não desempenhando bem nenhuma das atividades. É ainda obrigada a cortar suas necessidades vitais, como o acesso à cultura, esportes ou lazer.Tudo isso para financiar os parasitas dos transportes.
Um dos resultados imediatos da ditadura dos transportes, aliado ao sucateamento da educação pública é o da evasão do ensino. Mesmo a meia passagem não serve para impedir a desistência da juventude de estudar.
Dados das preliminares do Censo Escolar do próprio governo federal, deste ano, indicam que houve uma queda de matrículas dos estudantes nas escolas do ensino infantil até o ensino médio, de 55,470 milhões de matrículas enquanto em 2004 o índice era de 56,170 milhões, o que significa que 1,5 milhões de estudantes deixaram de estudar em apenas um ano no Brasil.

Organizar a luta pelo passe livre

A juventude e os trabalhadores são os únicos interessados em manter o ensino público e o direito de estudar, garantido pela própria Constituição do Estado burguês. Para tanto, os estudantes devem lutar antes de tudo pelo seu direito de ir e vir, através do passe livre, ou seja a entrada gratuita nos transportes e eventos culturais, direito retirado pelos tubarões do transporte e os governos antipovo.
Hoje, com o sensível ascenso dos estudantes, devido à desmoralização das direções burocráticas do PT e PCdoB no movimento estudantil (UNE e UBES), que frearam durante anos o desenvolvimento da luta dos estudantes, e o acirramento dos ataques contra a juventude, dá-se início à reorganização do movimento estudantil.
O passe-livre aparece como uma das maiores bandeiras dos estudantes e espalham-se por todo país, principalmente nas metrópoles, movimentos pelo passe-livre. Os maiores movimentos organizados nos últimos anos o de Salvador em 2003 e o de Florianópolis em 2004 e 2005 conseguiram conquistas como o cancelamento das propostas de aumento dos empresários e até aprovação da lei do passe-livre na Câmara. No entanto, a pressão dos capitalistas do transporte contra o movimento aparece em todas as cidades através dos meios políticos burgueses, como a desmoralização das instâncias parlamentares, da repressão policial, e dos núcleos de vereadores burgueses de fachada de esquerda com interesse simplesmente eleitoreiro que precisam do suborno para conter as características combativas do movimento, financiando e fazendo pequenos favores para instituir seu núcleo político pessoal e transformar os ativistas em cabos eleitorais.

Um verdadeiro movimento independente

Para realmente bater de frente com os interesses dos capitalistas, a juventude deve organizar-se como força política independente contra os empresários. Isto significa, portanto, que os estudantes devem, ao realizar uma ampla campanha de denúncias, com boletins próprios, voltados à agitação política em seus locais de estudo e moradia, financiar-se com atividades próprias.
As atividades dos estudantes devem ser concentradas na organização de comitês nas escolas e bairros para abrir a discussão e organizar uma verdadeira campanha entre a massa estudantil.
A Aliança da Juventude Revolucionária, juventude do PCO, chama todos os estudantes a formarem comitês para iniciar um verdadeiro movimento pelo passe-livre.

- Passe-livre já nos transportes para a juventude e desempregados