| Passe livre
Ex-dirigente do PSTU retira passe-livre de mais de 8 mil estudantes
11 de abril de 2006
Cerca de 350 pessoas entre alunos e pais da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro fizeram no último dia 6 um protesto em frente à prefeitura de Nova Iguaçu, contra o atraso no passe livre municipal para os 8.451 alunos recadastrados na rede estadual de ensino que residem na cidade.
O protesto foi recebido com violência pela polícia que utilizou gás de pimenta contra os manifestantes. Os estudantes denunciam que os transportes municipais, mesmo com o atraso, têm negado o acesso destes estudantes ao transporte gratuito.
O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que já foi por quatro anos dirigente pelo PSTU, desde 1997, e dirigente na UNE pelo PCdoB, é hoje um dos maiores representantes dos empresários dos transportes em favor da exploração dos trabalhadores e dos estudantes.
Quem é Lindbergh Farias
Luiz Lindbergh Farias Filho começou sua carreira política como presidente da UNE. Em 1992, durante a campanha do Fora Collor, foi um dos responsáveis na direção da entidade então como militante da UJS/PCdoB, pelo mais nefasto acordo com o governo Itamar Franco, o do monopólio da confecção de carteirinhas de meia-entrada pela entidade. Apesar das grandes demonstrações de força do movimento estudantil na época, este acordo representou um imenso refluxo que permanece até hoje, pois tornou, desde então, as direções estudantis dependentes do governo e dos negócios capitalistas, transformando a direção da UNE em gerentes de uma verdadeira fábrica de carteirinhas.
Em 1997, Lindbergh Farias romperia com o PCdoB para conseguir se candidatar nas eleições, pois se viu desfavorecido pela candidatura da deputada Jandira Feghali na qual o partido investiu. A legenda escolhida para disputar uma vaga a deputado foi a do PSTU, que integrou por quatro anos. A suposta reviravolta política de Lindbergh foi favorecida também pela denominação que o PSTU fazia do PCdoB, a ala mais a direita na CUT e na UNE, como um partido operário, para que se mantivessem lado a lado nas entidades estudantis e nos sindicatos.
Entrou então no PT e integrou em 2001 a chamada ala esquerda, destacando-se ao lado de Luciana Genro, Babá, João Fontes e Heloísa Helena a chamada ala radical, agora do P-Sol, como um dos opositores da Reforma da Previdência. Nesta época, o PSTU mantinha a política de aproximar a esquerda do PT, à qual atribuía uma combatividade dentro do PT, para a formação do novo partido, que irá mais tarde se formar sem o PSTU.
Em 2004, Lindbergh concorre às eleições à prefeitura de Nova Iguaçu em uma coligação do PT com o PSDB, PFL e PSB.
Símbolo do oportunismo político
Lindbergh, um típico carreirista político, o maior exemplo de corrompido político, foi acolhido pelos supostos radicais, cuja política oportunista era a de angariar importância com a figura de esquerda de fachada de Lindberg, sem qualquer importância com o conteúdo político desta aliança, ou seja, um preceito da máquina política burguesa.
Aí está um exemplo de relacionamento íntimo com a frente popular dos que agora adotam uma política ultra-esquerdista de rompimento com a CUT e com UNE, pela atribuição destas como governistas, sendo que até muito pouco tempo estas alas de esquerda estavam lado a lado ocupando as direções sindicais e estudantis juntas em um verdadeiro acordo para impedir que a ala mais combativa dos trabalhadores e estudantes tomassem suas próprias entidades.
Esta política oportunista só pode ter como resultado os piores ataques desferidos contra os estudantes e a população.
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