Chile
Frente popular reprime protestos de secundaristas pelo passe-livre

O governo de frente popular de Bachelet, ataca os estudantes que se levantam no país contra a ditadura dos transportes e das taxas de vestibular

12
de maio de 2006

Protestos da juventude secundarista pela gratuidade nos transportes tomaram a capital Santiago e outras cidades do país com grandes protestos contra a taxa dos transportes e do vestibular promovido pelo governo, o chamado PSU (Prova de Seleção Universitária).
Mais de cinco mil estudantes se reuniram na capital, na Praça de Almagro, onde montaram barricadas para marchar até o Ministério da Educação, que fica próximo ao palácio presidencial de La Moneda. Estes foram impedidos por uma fortíssima repressão da polícia militar do governo com jatos de água e bombas de gás lacrimogênio.
Em resposta, os estudantes partiram para cima dos policiais e destruíram sinais de trânsito, postes de rua, comércios, bancos e carros estacionados. Até a manhã desta quinta-feira mais de mil estudantes entre 14 e 18 anos haviam sido presos pelas forças de repressão e espalhados por vários quartéis, os odiosos “carabineiros”, a tropa de choque chilena. Outra centena de estudantes universitários e secundaristas que armaram barricadas próximas à Universidade de Santiago foram também detidos. Os mesmos protestos se deram nas principais cidades do país.
Na cidade de Arica mais de 500 jovens bloquearam as ruas e mais de 44 foram presos pela polícia. Em Coquimbo, em marcha no centro da cidade, 11 estudantes foram presos. Na pequena cidade de Ovalle também houve protestos. Em Valparaíso, após grande manifestação, 32 estudantes foram presos. Em Rancágua, 900 estudantes tomaram as ruas e enfrentaram a polícia com um saldo de 40 presos. Em Concepcion mais de mil estudantes promoveram um protesto que bateu de frente com a polícia na Universidade Concepcion e na Praça Independência, o que terminou com 33 prisões. Em Chillan houve protesto de mais de 600 secundaristas e em Tenuco cerca de 200 estudantes também foram às ruas.
A repressão violentíssima é fruto da situação revolucionária da América Latina, que está expressa com a subida de diversos governos de frente popular, cuja função histórica é de conter as mobilizações dos trabalhadores e substituir os governos da burguesia apoiados nos seus partidos mais tradicionais de direita.
O governo de frente popular de Michelle Bachelet, do Partido Socialista do Chile, tem a função de governar para a burguesia nacional e internacional assim como Lula no Brasil para impor ataques sem precedentes à população. Para forçar a população aos piores índices de arrocho salarial e privar a juventude das camadas médias e pobres cada vez mais de serviços e direitos, utiliza de todos os artifícios do Estado e em última medida da força extremada para conter as mobilizações. Este governo por trás da fachada de esquerda além de impor um verdadeiro processo equivalente aos da ditadura militar contra o movimento estudantil, proibindo protestos públicos, mantém presos políticos da população mais oprimida do país, os índios mapuche que se mobilizaram no último período, o que também provocou os protestos de estudantes.
A situação dos trabalhadores e estudantes chilenos, que muito se compara aos do Brasil e de toda a América Latina, de perdas sucessivas de direitos e vítimas da maior queda da renda e do plano de privatizações e pagamento da dívida externa, se diferenciando em algumas coisas como pelo fato de que o Chile tem, junto com a Argentina e Cuba, os melhores índices de educação da América Latina e muito mais vagas na universidade enquanto no Brasil a grande maioria dos milhões de estudantes estão ainda mais expropriados de seus direitos históricos de educação pública.
Este fato abre precedentes para que a organização estudantil contra os ataques do governo se dêem de maneira ainda maior, mais violenta, e decisiva para o continente no Brasil.