PUC-SP
Estudantes ocupam secretaria contra o corte de bolsas

13 de abril de 2006

Cerca de 30 estudantes ocuparam o setor de atendimento aos alunos da PUC-SP na segunda à noite contra o corte de bolsas na universidade.
A crise da universidade graças à dívida com os bancos, mantida pela Fundação São Paulo, atinge todos os estudantes, com a perseguição de inadimplentes, o fim das bolsas integrais na universidade que serão de no máximo 60% e que agora se limitarão às bolsas do Prouni, que não atingem nem 10% da universidade.
Para efetuar o corte de mais de R$ 4 milhões por mês a reitoria sob intervenção da Igreja Católica pretende colocar abaixo a universidade e a oportunidade de estudo de milhares de estudantes.

Reitoria da PUC, assim com o Alckmin e a reitoria da Unesp, ameaça alunos com sindicância

A reitoria da PUC dando demonstrações de que pretende perseguir o protesto dos estudantes enviou nota pública divulgando que o Setal (Setor de Atendimento ao Alunado) foi "tomado à força para fazer valer as intenções de grupos minoritários que buscam legitimidade com suas bandeiras de inclusão" e ainda, descaradamente, nega que a PUC-SP tenha uma política de corte de bolsas.
A nota também dizia que "Os estudantes que invadiram o Setal estão de posse de equipamentos, prontuários de alunos e outros documentos importantes. A Reitoria notificará os ocupantes e tomará todas as providências para retomar as instalações da universidade".
O que não foi divulgado pela reitoria foi quais providências pretende tomar contra os estudantes. Nenhuma resposta sobre a questão das bolsas chegou aos ocupantes da secretaria, somente uma ameaça de entrada com um processo de sindicância contra cada aluno que permanecesse no local.
A reitoria da PUC pretende usar o mesmo processo atualmente utilizado pelo governo Alckmin na Unesp, para julgar internamente, uma medida inconstitucional, e expulsar os estudantes.

Capitulação de uma minoria

A ocupação continuou por decisão de uma reunião nesta terça-feira, apesar de uma minoria ter sido a favor da desocupação. O grupo intitulado Estratégia Revolucionária, apesar de defender liderança na ocupação, foi o precursor da idéia de desocupação, alegando como motivos a crise da universidade, adotando o mesmo argumento da reitoria. Além disso, chegaram a alegar de forma completamente ridícula e desmoralizante o feriado como motivo para desocupar a secretaria. Fizeram de tudo para negar que a pressão da reitoria pela sindicância dos alunos fosse o motivo. Este mesmo grupo alinhou-se com a política de derrotismo na greve estudantil quebrada na última semana, servindo como correia de transmissão da política adotada pela Apropuc (Associação de Professores da PUC), comandada pelo PCdoB, não passando em salas de aula ou distribuindo panfletos. Estes pretendiam impor à ocupação às mesmas decisões derrotistas.
Em votação, levantada por este grupo, a maioria dos estudantes presentes foi totalmente contra a desocupação, rejeitando a proposta da minoria.

Ampliar a ocupação e as exigências

Os estudantes devem manter e ampliar a ocupação e as exigências utilizando deste fato para desenvolver a campanha contra a ofensiva da reitoria sobre os estudantes na PUC. Com a organização de um comitê da ocupação, os estudantes devem ampliar a divulgação das exigências, pelo fim da perseguição aos estudantes inadimplentes, contra as demissões dos professores, pela suspensão da dívida com os bancos. Devem denunciar amplamente em todos os cursos a política da Igreja Católica de pagamento dos juros com os bancos às custas de centenas de empregos de professores utilizando as ameaças e as punições contra os estudantes que se manifestam.