
| Manifesto aos estudantes 13 de novembro de 2006 O manifesto reproduzido aqui é o da chapa AJR – Reconstruir o DCE pela base, que concorre às eleições do DCE da USP para a gestão 2006/2007. A proposta central da chapa é dar um basta na paralisia do DCE e colocá-lo a serviço da luta em defesa do ensino público e de qualidade Acontecerão agora no mês de novembro as eleições para o Diretório Central dos Estudantes da USP. As eleições foram convocadas de repente, sem qualquer preparação, não permitindo qualquer debate para a formação das chapas. A maioria dos estudantes sequer está sabendo que vão ocorrer as eleições. Isso só contribui para que se perpetue a apatia no movimento estudantil, da qual apenas a reitoria tira proveito. A atual gestão do DCE, dominada há anos por um mesmo grupo político que está agora dentro do PSol, vem mantendo a entidade durante esse tempo em uma completa paralisia. Por um lado, procuram reduzir o DCE a um grupo de amigos, onde é vetada a participação da maioria dos estudantes que não pertençam ao “clube”. Atuam como um grupo fechado, para quem a participação massiva dos estudantes é a maior ameaça, garantindo dessa maneira, também a “segurança” da reitoria, que tem o terreno livre para aprofundar o processo de destruição da universidade pública. Nessas eleições, a data para inscrição de chapas, o processo eleitoral, tudo fica desconhecido do estudante comum, aquele que não participa do grupinho seleto da atual gestão do DCE, e que não tem a oportunidade nem de formar uma chapa, nem de sequer, nas eleições, escolher de fato uma chapa para votar. Por outro lado, esse grupo também não defende os interesses dos estudantes. Esse ano passou para atual gestão em branca nuvem. Esse ano, a reitoria da USP, associada ao governo Alckmin-Lembo, intensificou a repressão contra o movimento estudantil e poderíamos dizer, inclusive sem exagero, que o DCE se absteve de toda e qualquer defesa dos estudantes contra os ataques da reitoria. O DCE se absteve na luta contra a repressão dos estudantes No segundo semestre desse ano, a reitoria respondeu aos estudantes que estão se organizando contra a destruição da universidade pública com uma verdadeira caça às bruxas. A PM praticamente invadiu o campus do Butantã, depois de ter sua entrada assegurada na USP Leste. Junto a isso, 170 câmeras foram instaladas para espionar as atividades dos estudantes e o número de ameaças e punições a estudantes é crescente. Na Faculdade de Arquitetura, 80 sindicâncias foram abertas contra alunos, com vistas a expulsão; a Polícia Federal de Lula foi chamada para fechar a Radio Livre que funcionava na universidade há anos; qualquer atividade política no campus, com panfletos ou cartazes é logo reprimida e a entrada dos alunos no campus também passou a ser controlada. Diante dessa ofensiva da reitoria sobre o movimento estudantil, o DCE da USP nada fez. Pelo contrário, votou contra qualquer medida que impulsionasse a luta dos estudantes contra a repressão na universidade, boicotando deliberadamente as iniciativas de outros setores nesse sentido e não fazendo em contrapartida nenhuma propaganda própria. Cada vez mais as fundações privadas se implantam na USP, como no caso da Letras, onde o banco Santander pretende financiar as aulas de espanhol do curso, um passo importante para a privatização da universidade. Também diante disso o DCE se calou. A reitoria aprovou a construção de um hotel de luxo de 30 milhões de reais no campus para receber conferencistas de empresas privadas enquanto os prédios de diversas unidades da USP estão literalmente caindo aos pedaços, faltam professores, livros na biblioteca etc. O DCE nada fez, nem sequer teve o trabalho de informar os estudantes sobre o que estava acontecendo. Agora a reitoria pretende cobrar o circular! E mais uma vez o DCE se cala... É por esses motivos que consideramos que o DCE está falido. Não só não fez absolutamente nada em defesa dos estudantes ou do ensino público, contra os ataques do governo e da reitoria, como não estimula nenhum debate e participação da maioria dos estudantes, e inclusive promove o afastamento destes do movimento estudantil. Por um DCE para a luta e a participação de todos os estudantes É necessário mudar essa situação. A chapa da AJR se propõe a, caso seja eleita, chamar um congresso bem convocado e divulgado dos estudantes para aprovar estatutos mais democráticos, que prevejam ampla participação estudantil no Diretório Central dos Estudantes, e, aliado a isso, a publicação de órgão informativo regular do DCE. Apenas com a participação de um grande número de estudantes poderemos constituir um movimento estudantil forte, capaz de impedir os ataques cada vez mais constantes à universidade pública e à sua livre organização. |