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Jubilamento 14 de novembro de 2006 A reitoria prepara um verdadeiro golpe no final do semestre, às escuras, para evitar qualquer informação e mobilização entres os estudantes A reitoria da USP irá votar na próxima reunião do Conselho Universitário, no dia 28 de novembro, o novo plano que pretende cercear ainda mais os estudantes através do jubilamento, ou seja, da exclusão do estudante da universidade. A proposta diminui de quatro para dois semestres, o tempo máximo que um aluno pode deixar de se matricular ou de conseguir um mínimo de notas azuis nos cursos, que hoje é de 20%. ”Ou o aluno estuda ou ele trabalha” Todos os dados divulgados são alarmantes: segundo o estudo da Reitoria, o número de estudantes excluídos por não conseguir completar o curso aumentaria em 367% (!), indo de 534 para 2.494, enquanto que o número dos excluídos por não renovar a matrícula aumentaria em 15%, indo de 807 para 932. Segundo dados repassados pelos representantes discentes sobre as discussões da reitoria, ou seja, estudantes que têm direito a voto no Conselho Universitário, em cursos na faculdade Politécnica, por exemplo, o número de jubilamentos iria dos atuais 35 alunos para 334, um crescimento de quase 1.000 % (!). Na USP Zona Leste, onde não há alunos jubilados, com a nova regra pelo menos 16% dos estudantes seriam jubilados. Só na FFLCH (Faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), faculdade com maior número de excluídos, dos atuais 621 jubilados a regra aumentaria para 1.240 alunos os excluídos. A reitoria quer expulsar os estudantes de baixa renda da USP e para isso argumenta que quer manter os “alunos responsáveis” na universidade. No entanto, os próprios amigos do reitor não conseguem conter seus ânimos em demonstrar qual é o verdadeiro objetivo da medida. Em resposta a uma recente pesquisa dos estudantes sobre os dados do jubilamento nos diversos institutos da universidade, uma professora de alto cargo deixou escapar os verdadeiros motivos do projeto. Claúdia Peixoto, diretora ligada ao instituto de graduação da Faculdade de Matemática, respondeu aos estudantes que “ou o aluno estuda ou ele trabalha”. Não por acaso, a mudança na regra de jubilamento está voltada exatamente contra os estudantes que têm dificuldade de concluir o curso, que são especialmente aqueles que trabalham, e contra os cursos mais sucateados e atacados da universidade, onde os estudantes recebem a menor assistência estudantil de toda a USP. Este é um ataque direcionado contra a parcela mais explorada dos estudantes, que já saem da universidade por sequer terem direito garantido de sobreviver na USP com sua renda. Proposta dos empresários do ensino Esta proposta é um claro ataque dos empresários do ensino e do governo que controlam a reitoria da universidade para reduzir gastos. A proposta foi feita pela CCV, ligada à Fundação do Vestibular (Fuvest), uma das maiores fundações privadas da USP, conhecida por ser intimamente ligada às maiores redes de ensino privado de cursinhos do país. Esta é uma proposta claramente levada à frente pelo governo do estado, dos carrascos da educação, que pretende reduzir verbas dos gastos públicos tendo como alvo principalmente a educação pública, para pagar aos bancos e empresários, assim como já o faz na universidade. Recentemente foi aprovado pelo mesmo conselho a construção de um hotel de R$ 30 milhões com o dinheiro público para o uso de empresas no entorno da USP na realização de conferências de negócio. De acordo com a Pró-Reitoria, corpo de altos funcionários indicados pelo reitor, ou seja, a frente do governo na universidade, que redigiu o ofício apresentado no Conselho Universitário a intenção seria de “promover o aumento de vagas e zelar pela justa ocupação das mesmas”. A mesma reitoria que desvia centenas de milhões para empresários e bancos levanta a defesa de mais vagas e de ocupação justa da universidade. Na língua dos parasitas do dinheiro público isto deve ser entendido como o maior plano para reduzir vagas na USP de todos os tempos. DCE de mãos dadas com a reitoria em defesa da expulsão de estudantes O DCE nas mãos do mesmo grupo político há anos na USP, e que agora está no PSol, sequer se colocou contra a medida. O mesmo DCE que indica os representantes discentes para o Conselho Universitário, sequer divulgou o fato de que havia tal projeto em discussão. O Jornal do Campus , publicado na primeira semana de novembro foi o meio de informação sobre o fato, preparando os ânimos para aprovar o golpe contra os estudantes. De mãos dadas com a reitoria os membros do DCE apóiam a reitoria em cada ponto do projeto. Em reunião dos CA´s promovida neste fim de semana com cerca de 20 centros acadêmicos na Faculdade de Saúde Pública da USP, a capital, os membros do DCE apoiaram, segundo estudantes da AJR que estiveram presentes na reunião, que “para ser aprovada a medida de forma responsável, os estudantes devem ter conhecimento dos dados”, que ainda não seriam claros e exigiram uma comissão da pró-reitoria, para apurar “mais dados sobre o caso”. Os próprios dados do jornal da reitoria não conseguem esconder a verdadeira devassa que os inimigos da educação pública pretendem realizar contra os estudantes da USP sem nenhuma discussão. Este também é o mesmo DCE que sequer se coloca contra a ameaça de expulsão de 80 estudantes na USP e os inúmeros casos de repressão que começam a vir a tona Este é o papel da velha burocracia estudantil dos empresários do ensino, uma cópia dos burocratas nacionais financiados pela máfia das carteirinhas estudantis, verdadeiros funcionários de aluguel dos donos de faculdades pagas e das reitorias. Por uma ampla campanha dos estudantes contra o jubilamento Os estudantes devem realizar uma ampla campanha contra mais este ataque, através da denúncia em cada sala de aula, através de uma imprensa própria que coloque as cartas da burocracia universitária e dos burocratas estudantis nas entidades na mesa. Contra o acordo da reitoria com seus pupilos para colocar milhares de estudantes para fora da universidade, os estudantes, que repudiam amplamente os cortes de verbas e a política da reitoria, são os únicos capazes de barrar tal medida.
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